Em São Paulo, agências de viagem já encontram dificuldades para reservar locais de hospedagem dois anos antes da Copa

por andre_inohara — publicado 02/05/2012 09h12, última modificação 02/05/2012 09h12
André Inohara
São Paulo – Montagem de pacotes turísticos para 2014 é dificultada pela quantidade limitada de hotéis na cidade e em seus arredores.

As agências de viagens no Brasil estão encontrando dificuldades para antecipar a montagem de seus pacotes de turismo com vistas à Copa do Mundo em São Paulo, cidade que deve abrigar cinco jogos do torneio na metade de junho e início de julho de 2014.

Uma das principais dificuldades é a sobrecarga da rede hoteleira do município nas semanas dos jogos. A maior parte de vagas ficará reservada para as agências de turismo internacionais credenciadas pela Fifa (a associação mundial de futebol).

“De repente, vem uma ordem da FIFA solicitando 300 apartamentos e a rede, que tem 310, só tem 10 apartamentos para distribuir”, exemplificou Antonio Luiz Cubas, diretor-geral da Maringá Turismo.

A rede hoteleira em São Paulo ainda aguarda o sorteio das chaves, quando a Fifa definirá onde cada seleção jogará. O que há de certeza é que a Seleção Brasileira fará o jogo inaugural da Copa em São Paulo em 12/06/2014 e, caso avance até as semifinais, retornará em 09/07 para o quinto e último jogo da Copa na cidade.

“Todos os hotéis com os quais se quer trabalhar só terão uma noção clara de vagas a partir do final de 2012. Nessa época, os pacotes oficiais vão sair e, com isso, os bloqueios de reserva serão liberados para os demais operadores mundiais”, acrescenta Cubas, que havia participado de um comitê de Viagens e Mobilidade Corporativa da Amcham-São Paulo em 22/10 voltou a falar ao site.

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A procura por pacotes turísticos para a Copa já está começando a chegar à Maringá Turismo. “Tenho recebido vários pedidos do mundo e pretendo atendê-los, mas não tenho como fornecer preços ainda. E olhe que não somos a agência oficial de turismo”, destaca Cubas.

Escassez de vagas nos arredores de São Paulo

O desafio de encontrar uma rede hoteleira adequada para abrigar os visitantes que estarão em São Paulo para a Copa é grande para as agências de turismo não oficiais.

A rede hoteleira da cidade de São Paulo está operando no limite, segundo o executivo. “Considerando a capacidade atual hoje, que está praticamente toda utilizada, precisaríamos que ter um adicional de 25% de leitos”, observa.

A escassez de vagas na cidade tem levado os agentes a estender a procura aos municípios em um raio de 150 quilômetros da capital paulista. A montagem de pacotes para clientes vai esbarrar em dificuldades adicionais a partir de 2013, diante da ocorrência de eventos corporativos e a expectativa de início dos treinamentos para a Copa.

Mesmo com dificuldades, a prioridade é conseguir vagas em São Paulo para o turista. Já as empresas que fazem encontros corporativos devem conduzir suas equipes para cidades do interior como Rio Claro e Taubaté, segundo Cubas. “Levar as equipes para fora de São Paulo é o único jeito de continuar a vida corporativa nesse período”.

Preços para reserva estão altos

Diante da alta procura, a rede hoteleira está cobrando muito para fechar reservas.  “Isso ocorre principalmente em São Paulo, mas em capitais como Recife e Rio de Janeiro também estamos tendo sérios problemas para conseguir fechar alguma coisa”, disse Maurício Paganotto Carvalho, sócio-diretor da T&E Consulting, empresa especializada em gestão de viagens corporativas.

Carvalho participou do comitê de Viagens e Mobilidade Corporativa da Amcham-São Paulo em 31/01 e também voltou a falar com o site da Amcham. Atualmente, a capacidade hoteleira de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro é praticamente preenchida em grandes eventos como a Fórmula 1 e o Rock in Rio, exemplifica. “Se houver um grande evento, o empresário tende a não fazer reuniões nessas épocas”, destaca.

Até 2014, a tendência é de aumento de eventos corporativos, de acordo com o executivo. “O que posso dizer é que, estatisticamente, vão acontecer cada vez mais eventos no próprio ano da Copa”, afirma.

Para Carvalho, seria preciso ampliar a capacidade da rede hoteleira. No entanto, o empresário disse não ter conhecimento do que está sendo pelos hotéis para aumento de capacidade. “Na zona leste, estão sendo contruídos alguns hotéis, mas sem nada definido ou formalizado. Vejo sempre as mesmas cadeias hoteleiras com os mesmos hotéis, principalmente nas grandes cidades.”

Sem expansão, a tendência é a de aumento da procura por albergues e aluguel de residências durante a Copa. “A família sai durante a Copa e aluga a casa”, comenta.

Para eventos corporativos, há dificuldades em achar reservas em locais como Itu e Barra Bonita. “Se o cliente está fazendo evento a 100 km de São Paulo, já imagina como vai estar o movimento daqui a dois anos”.

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