Empresa precisa abandonar hierarquia que burocratiza, segundo gerente da Votorantim

publicado 24/02/2016 09h07, última modificação 24/02/2016 09h07
São Paulo – Korn Ferry/ Hay Group compartilha experiência de como o RH pode contribuir para aumento de produtividade
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“A empresa precisa sair de um ambiente de hierarquia que burocratiza e não responde à velocidade necessária às mudanças e partir para ambientes mais colaborativos.” A afirmação de Nilma Ribeiro, gerente geral de Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO) da Votorantim, reflete o objetivo do Grupo Votorantim de se tornar uma empresa mais colaborativa para os funcionários.

Nilma participou do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo na terça-feira (23/2) juntamente com Renato Ferrari, gerente de consultoria da Korn Ferry/ Hay Group, e compartilhou sua experiência de ganho de produtividade através do RH.

Votorantim

Com 40 mil funcionários espalhados em seis unidades de negócio e uma holding, o Grupo Votorantim está fazendo a transição para se tornar uma organização onde todos se sintam estimulados a trabalhar em conjunto e sugerir melhorias para o negócio, de acordo com Nilma.

A mudança de filosofia começou a tomar forma em 2014, quando cada empresa do grupo ganhou autonomia para tomar as próprias decisões. Cada empresa constituiu seu próprio conselho de administração e muitos funcionários da holding acabaram se transferindo para as unidades, o que deu mais agilidade administrativa.

Além disso, a nova estrutura passou a exigir mais dos colaboradores. “Na holding, deixamos de ser o centro corporativo que dava as diretrizes e acompanhava o movimento das empresas para ser uma gestora de portfólio [responsável pela avaliação do potencial de retorno dos projetos]. Isso muda totalmente o perfil dos profissionais”, explica Nilma.

Uma pesquisa interna de clima organizacional e engajamento mostrou que a iniciativa foi amplamente aprovada pela companhia. Na antiga estrutura, o índice de favorabilidade de 2013 indicou que 64% dos funcionários se sentiam engajados à filosofia da empresa. Dois anos depois, com a reorganização em andamento, o índice subiu para 80%.

Mexer na filosofia da empresa é essencial para atrair novos colaboradores e se preparar para cenários incertos, segundo Nilma. “As gerações mais novas querem pluralidade, mais diálogo e menos hierarquia. E isso faz toda a diferença quando se quer alavancar a produtividade da organização.”

Korn Ferry/ Hay Group

Aplicando cinco conceitos de redesenho organizacional batizados de ‘The 5 Rights’, uma grande rede supermercadista atendida pela Korn Ferry/ Hay Group conseguiu aumentar sua eficiência de compras com uma equipe menor. O modelo consiste em atingir objetivos seguindo diretrizes como tamanho certo (de pessoas), competência (para executar tarefas), estrutura (recursos), localidade (geográfica e de recursos) e custo (investir o estritamente necessário).

A operação é feita com base nas características do cliente, segundo Ferrari. “A arquitetura tem que estar alinhada à estratégia e também ao detalhe de saber quantas pessoas é preciso para o projeto.” Seguindo as premissas do modelo, as categorias de produtos foram classificadas em graus de complexidade para efeito de compras e alocação de pessoal e recursos. De acordo com o nível de dificuldade da categoria, compradores mais experientes seriam necessários.

A empresa constatou que alguns setores estavam carentes de pessoal e outros tinham excesso, e realocou colaboradores – inclusive chefes – de acordo com as necessidades. O processo melhorou a comunicação e a tomada de decisões, o que permitiu melhor uso de recursos.

Para Ferrari, a metodologia permite a alocação e desenvolvimento de competências onde elas são mais exigidas. “O comprador passa a ser um ‘curador’ da categoria. Ele tem que cuidar de várias coisas, como lucratividade, e não apenas da venda.”

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