Empresa recusa negócios com parceiros que não adotam princípios éticos e legais

por andre_inohara — publicado 19/08/2011 17h10, última modificação 19/08/2011 17h10
São Paulo – Política mundial de compliance da Siemens impõe regras de integridade às companhias que queiram fazer parte da sua cadeia de negócios.

A Siemens não quer apenas ser ética, mas parecer ética. A multinacional alemã de serviços de comunicações adota uma política estrita de compliance, pela qual não permite associações ou parcerias de negócios com empresas que não respeitem princípios éticos e legais.

“Temos mais de 800 parceiros no Brasil e todos têm clausulas de compliance inseridas no contrato”, disse Wagner Giovanini, diretor de Compliance (Cluster Compliance Officer) da Siemens para a América Latina. Ele participou na quarta-feira (16/08) do comitê estratégico de Compras Corporativas da Amcham-São Paulo.

Giovanini conta que, se o parceiro não assinar a cláusula de integridade, será reprovado e descredenciado de banco de dados da companhia.

Para fazer negócios com a Siemens, é preciso passar por um processo de averiguação da situação da empresa e dos sócios, o que inclui a idoneidade.

“Se ela não estiver de acordo por motivos relacionados a compliance, será vetada pelo nosso departamento”, garante Giovanini.

Mesmo companhias credenciadas também podem ser questionadas sobre a natureza dos negócios.

Regras para todos

A regra vale para todos, desde o presidente de divisão até o operário, e se estende a todas as áraes, disse Giovanini.

“Nosso programa de compliance começou com foco em vendas e parceiros de negócios, mas o departamento de compras também tem políticas para recebimento de brindes, patrocínio, doação, recebimento de convites ou pagamento de viagem”, descreve.

Isso é necessário para demonstrar transparência e equidade. “São regras espelho. O que exijo do meu cliente tem de ser o mesmo para o meu departamento de compras. Não posso proibir um vendedor de dar brindes de determinado valor e permitir que o comprador ganhe brindes nesse nível”, observa.

Conscientização dos funcionários

A Siemens administra mais de 400 mil funcionários espalhados pelas suas filiais no mundo e quer garantir a retidão da conduta de todos, argumenta Giovanini.

"Precisamos ter um programa forte e mecanismos eficientes de compliance. O objetivo é dar tranquilidade aos dirigentes e acionistas de que somos uma empresa séria.”

Para isso, a Siemens trabalha em campanhas de conscientização. “Não quero que uma pessoa faça a coisa certa na minha organização porque existe uma lei por trás. Quero que elas façam as coisas porque acreditam que é bom”, disse Giovanini.

 

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