Empresa tem que promover autoconhecimento dos jovens profissionais, analisam especialistas de RH

por marcel_gugoni — publicado 05/04/2012 17h33, última modificação 05/04/2012 17h33
Marcel Gugoni
São Paulo - Papel das companhias ao contratar esses talentos é ajudá-los a entender e enfrentar os desafios da profissão.
sofiaismael195.jpg

Uma empresa que busca um profissional jovem quer alguém criativo, ambicioso, que domine diferentes tecnologias e responda rapidamente aos estímulos. Esse mesmo perfil é de um indivíduo que quer ascender rápido na carreira e que deixará passar ordens vindas de cima se não vir propósito nelas. Especialistas de Recursos Humanos dizem que a nova geração que vem chegando ao mercado de trabalho é altamente produtiva e eficiente, mas precisa se autoconhecer. 

Veja também: Geração Y: maior rotatividade levará empresas a se preocuparem mais com o registro de sua inteligência de mercado

Sofia Esteves, presidente da empresa de seleção e recrutamento Cia de Talentos, diz que o jovem de hoje “fala o que pensa, quer participar das decisões, busca um significado em tudo o que faz e deseja tomar seus próprios rumos, mas não sabe como fazer isso”. O como é o autoconhecimento, afirma ela.

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham

Sofia fez palestra no comitê estratégico de Gestão de Pessoas na Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (05/04). Em entrevista após a reunião, a especialista em RH apontou que há um papel crucial na mão das empresas que é o de “ajudar os jovens a buscar esse caminho e abrir espaço para poder ouvi-los” no que diz respeito aos desafios da profissão. “É preciso preparar esse jovem pessoalmente e emocionalmente para os desafios da vida e do mundo corporativo”, ressalta. 

Ismael Rocha Jr., professor e chefe do Departamento de Marketing e Pesquisa de Mercado da ESPM, explica que a via de “preparação” envolve “abertura para um diálogo mais amplo e a quebra de barreiras da empresa, da escola e do próprio indivíduo”. 

“Intelectualmente, os jovens de hoje são muito bem formados”, avalia. “Nunca, academicamente falando, o jovem teve uma formação técnica tão alta, tão específica, de tamanha qualidade como há hoje. O lado emocional, pessoal, do autoconhecimento é o que tem que ser trabalhado.” 

Para Rocha, “o jovem de hoje é muito crítico a alguns aspectos do mundo corporativo, mas ao mesmo tempo enxerga a importância das empresas para a sociedade”. “Isso tanto é verdade que, em alguns momentos, há a vontade desse jovem de empreender, de criar a sua própria empresa.” 

Integração e diálogo 

Se o jovem dos anos 1970 e 1980 era um profissional mais afeito a regras hierárquicas, a chamada geração Y (de jovens nascidos nos anos 1980) se encaixa melhor em ambientes com hierarquias mais flexíveis e troca de informação e conhecimento, em vez de ordens. 

Sofia resume o novo perfil em uma palavra: integração. “Ele quer ser único em tudo o que faz e não quer vestir papéis diferentes para cada lugar”, afirma. “Qualquer um hoje pode ter o conhecimento que precisar na hora em que precisar a um clique de distância. Há uma rede de relacionamentos para buscar o conhecimento e um imediatismo constante que é fruto da sociedade em que esse jovem vive.” 

Ela diz que as empresas deveriam trabalhar no sentido de mostrar que as tarefas do dia-a-dia dependem da colaboração e da troca de ideias. “É uma questão comportamental. É preciso clareza e integração para transformar esse imediatismo em produtividade.” 

Compartilhamento 

A ideia de compartilhar está tão disseminada na cultura atual que o ambiente de trabalho deve aderir a ela, inclusive partilhando valores em comum com seus profissionais. É o que dizem os especialistas. “A empresa tem que ser coerente com aquilo que pregam e com o que praticam no dia a dia”, afirma Sofia. 

Ismael destaca que “a realidade contemporânea, de múltiplas plataformas de comunicação, de abertura para o mundo, força empresa, universidade e indivíduo construírem uma relação mais coerente”. 

“Estamos em uma relação multiplataformas de comunicação, de uma realidade muito mais horizontal. Há uma intenção de construir uma relação mais próxima e menos hierárquica, mais horizontal. Essa é a relação que jovem vive em casa e na sociedade. E não tem porque não viver isso na empresa”, opina ele. 

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui

Com a economia em crescimento e a oferta de empregos aumentando, só o salário não é suficiente para segurar ninguém. “Temos que entender os valores dos jovens e casar os valores da empresa aos dele”, reforça. “O jovem, hoje, sabe que o ganho financeiro não vai fazer dele alguém tão mais rico. O que ele busca é fundamentalmente ser mais feliz. Ele quer encontrar o próprio espaço, onde possa se sentir bem e se mostrar como ele é de verdade. É uma nova realidade a qual temos que nos adaptar.”

registrado em: