Empresário está otimista sobre economia nacional e seus negócios em 2013, mostra sondagem da Amcham

por simei_morais — publicado 14/03/2013 17h52, última modificação 14/03/2013 17h52
São Paulo – Executivos responderam sobre expectativa em relação à economia durante almoço de posse do conselho de administração da entidade.

O empresariado está otimista em relação à economia nacional e ao desempenho de seus negócios em 2013 em comparação com o ano passado. É o que mostra uma sondagem realizada pela Amcham nesta quinta-feira (14/03), durante o almoço de posse do Conselho de Administração da entidade para 2013.

Participaram 155 executivos. A votação, por meio de aparelhos eletrônicos, teve o resultado divulgado instantaneamente.

A primeira questão buscou identificar como será o crescimento da economia brasileira em 2013 frente a 2012. A avaliação predominante (67% dos executivos) é de que a expansão ficará acima da do ano passado, sendo que 64% apostam em um nível de até 3,5% e outros 3% acreditam em evolução maior que 3,5%. Foram 21% os que sinalizaram acreditar em manutenção do crescimento de 2012 e uma fatia de12%, mais pessimista, aponta para ampliação aquém da de 2012.

Questionados quanto a seus próprios negócios, o otimismo é maior. Nada menos que 83% dos votantes esperam expansão acima da média da economia, sendo que 36% sinalizam crescimento muito acima e 47% apenas acima da economia. Segundo um grupo de 13%, a evolução será igual à da média da economia e 4% dizem que ficará abaixo dela.

A pesquisa procurou levantar também como serão os investimentos das empresas em relação ao ano passado. Há uma divisão entre os executivos que enxergam manutenção (45%) ou aumento (40%) dos aportes. Outros 15% apostam em diminuição.

Por fim, a enquete procurou saber em quais áreas esses investimentos serão concentrados: no estoque de capital (capacidade, instalações, P&D, patentes, etc., com 12% das respostas); em melhoria de processo/ganho de produtividade/ mudança de processo (33%); em esforço comercial/ marketing/distribuição/equipe de venda (40%); e em treinamento e qualificação de mão de obra (16%).

Repercussão

“É curioso porque todos esperam crescer acima da média, o que tem impossibilidades”, brinca o economista Delfim Netto, que foi o convidado de honra do evento. “Todos acham que vão crescer mais que o Brasil. Estão sujeitos à pressão de que o Brasil não pode crescer um pouco mais”, adverte.

O economista afirma que a expectativa de aumento de produtividade sinalizada pela sondagem está na direção correta. “Investir no aumento de produtividade, em vez de quantidade, é mais sensato”, analisa. Para ele, o governo brasileiro tomou medidas certeiras que, após um período de maturação, vão culminar no crescimento da economia.

Conselheiros da Amcham ouvidos pelo site concordam com Delfim e dizem que tais medidas sinalizam mais segurança para investimentos.

Prumo

Alexandre Silva, presidente do Conselho da Embraer, conta que votou com a maioria nas duas primeiras questões, com expectativa de crescimento da economia nacional acima dos níveis de 2012 e de desempenho de sua indústria superior à média nacional. Quanto à prioridade para os aportes, cita: “Estamos em fase de aumentar nossos investimentos e vamos concentrá-los em estoque de capital”.

Ele credita as expectativas positivas do setor privado às desonerações e estímulos que o governo vem promovendo. “Vão surtir efeitos ainda esse ano. O empresariado quer previsibilidade, saber qual é a regra do jogo, aí os investimentos voltam”, diz.

A presidente da divisão de bebidas da Pepsico, Andrea Alvares, também votou com a maioria, nos dois primeiros quesitos, e comenta que os investimentos da companhia serão em melhoria de gestão e processo de produtividade e na área comercial.

“A desoneração da folha de pagamento e de alguns tributos, o foco em alguns setores e a retomada de investimentos em infraestrutura estão estruturalmente corretos”, afirma. A executiva ressalta que a indústria voltou a crescer, no início desse ano, e diz que há um “otimismo cauteloso.” “Ainda falta que esses vetores de mudança se assentem para que sintamos os efeitos duradouros”, completa.

Combinação de ventos a favor

Hélio Magalhães, Country Officer do Citibank para o Brasil e novo presidente do Conselho da Amcham, destaca que a economia já sinalizava uma curva para cima, no final do ano passado, ao contrário do cenário do desfecho de 2011. “Só esse efeito [positivo] já traz crescimento para a economia. Dentro de seu potencial, o Brasil poderia crescer mais, mas é melhor crescer de forma sustentável por longo prazo do que ficar em vales”, compara.

Para Magalhães, o setor de serviços continuará a crescer e a agricultura terá melhor performance neste ano do que em 2012. “A maioria dos estudos mostra ciclo de crescimento mais estável, de 3% a 4%. É a combinação de fatores que fará esses três pontos virarem quatro. O governo está empenhado”, finaliza.

Álvaro Novis, vice-presidente do Conselho da Amcham, ressalta ainda a redução do custo de capital no Brasil como fator de otimismo entre o empresariado. “Esse custo sempre foi alto e está sendo reduzido pela taxa de juros. Não são reduções temporárias, mas vieram para ficar, o que dá condições ao investimento”, acrescenta.

Novis também aponta as medidas governamentais que vêm sendo adotadas recentemente como essenciais para se desenhar o quadro que se vislumbrou na sondagem de expectativas. “A pesquisa reflete o que está sendo vivido no momento. O governo reagiu [em relação a 2012] e isso vai refletir no que vamos ver em 2013”, declara.

 

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