Empresas de TI e de internet lideram fusões e aquisições no Brasil em 2014, mostra KPMG

publicado 13/03/2015 15h28, última modificação 13/03/2015 15h28
São Paulo – Transações em todos os segmentos devem cair a partir do segundo semestre, comenta Luis Motta
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As empresas de TI e de internet lideraram o ranking de fusões e aquisições por segmentos no Brasil, em 2014, num levantamento feito pela KPMG. De 818 transações realizadas em todo o país, 123 foram em TI e 91 em companhias de internet, categoria em que estão alocadas as lojas de e-commerce.

“A maioria dessas empresas já nasce com o modelo de negócio voltado para abrir à entrada de capital por meio de venture capital ou private equity”, comenta Luis Augusto Motta, sócio-líder da área de Fusões e Aquisições da KPMG, que esteve no comitê aberto de Finanças da Amcham – São Paulo na sexta-feira (13/03).

O levantamento não considera valores, mas quantidade de negociações. Nesses dois segmentos, muitas envolvem volumes menores em relação a outros, adverte Motta.

As aquisições de energia (geradoras eólicas, cogeração, etc) vêm em terceiro lugar, seguidas de 52 movimentações no setor de alimentos e de 49 em serviços. “O mercado está percebendo mais valor em serviços de todos os tipos”, diz o consultor.

Segundo Motta, a tendência é de que o mercado comece a testemunhar fusões e aquisições também no setor hospitalar, já que a lei que permite entrada de capital estrangeiro nesse tipo de negócio está em vigor desde o ano passado. “Já há consultas nesse sentido”, cita.

Reflexo da economia

A alta de fusões e aquisições observada em 2014 em relação a 2013 (818 ante 796) não reflete necessariamente uma recuperação da economia. Motta explica que o acréscimo se deve ao tempo que as negociações levam para ser concretizadas, envolvendo etapas como análise, due diligence e negociações. “Se todo ocorrer direitinho, o processo leva de seis meses a um ano”, conta.

Em 2012 e 2011, o país contou com 816 e 817 transações, respectivamente, frente a 726 fechadas em 2010. “Em 2009, quando a crise mundial estourou, as empresas se voltaram para seus mercados domésticos. Depois, viram que as que estavam no Brasil saíram da crise mais rapidamente e se voltaram para cá”, avalia.

A maioria dos compradores, nos últimos cinco anos, tem sido de brasileiros. No entanto, o número de estrangeiros cresceu de 40%, em 2010, para 48% no ano passado.

Os americanos sempre foram os principais compradores, sendo 36% dos estrangeiros que negociaram fusões e aquisições no país em 2014. Ingleses (10%), franceses (8%) e alemães (7%) vêm em seguida. “Metade são americanos e europeus ricos”, observa.

Já as transações brasileiras de internacionalização, com fusões e aquisições lá fora, passaram de 65 em 2010 para 44 no ano passado. De acordo com o consultor, as empresas perceberam que, nesse período, o mercado estava atrativo internamente. “Elas vão para fora quando veem necessidade estratégica. O dólar mais barato pode ser um dado a mais, mas não interfere muito na decisão”, declara.

Países latino-americanos representam 34% dos destinos dos brasileiros que compram empresas no exterior. “A região tem relevância”, diz. Já nos EUA foram realizadas 16% dessas movimentações em 2014.

O que esperar

Motta ressalta que fusão e aquisição são investimentos de longo prazo e normalmente são desconsideradas pelas empresas em momentos de crise. “Nessa hora, você se preocupa em se manter vivo; o espírito de sobrevivência te faz pensar no hoje”, compara.

Dessa forma, a tendência é de que as transações no mercado brasileiro caiam a partir do segundo semestre. No primeiro semestre, ressalva o consultor, ainda haverá negócios fechados que foram iniciados anteriormente. “Espera-se um ano pior, com menos fusões e aquisições”, afirma.

O cenário é menos favorável, diz Motta, porque o país oferece mais risco agora, há menor disponibilidade de capital e aumento de custo, as margens estão mais acirradas e o consumo está freando. Há, ainda, crises hídrica e energética, redução de investimentos e recuperação da economia americana, o que atrai o dinheiro para os EUA.

“Não acho que estamos num momento de ruptura, o que traria um impacto mais forte; acredito em uma acomodação do mercado. Talvez tenhamos um vale que se estabilize num patamar e vá voltando posteriormente”, complementa.

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