Empresas precisam saber administrar conflitos internos e a usá-los para ampliação de resultados

por daniela publicado 07/06/2011 17h24, última modificação 07/06/2011 17h24
São Paulo - Para o especialista em capital intelectual José Emilio Menegatti, cabe às organizações criar ambiente para que diferentes ideias gerem valor.

Em vez de buscar solucionar os conflitos entre seus colaboradores, o especialista em capital intelectual José Emilio Menegatti defende que as companhias devem saber administrá-los como uma ferramenta importante para ampliação de resultados. Nesse sentido, as organizações precisam criar um ambiente favorável à disseminação de ideias e uma cultura de respeito aos diversos pontos de vista, na qual os colaboradores mantenham a disposição para buscar entendimento. 

O professor Menegatti, como é conhecido, participou nesta quarta-feira (08/06) do comitê de Secretariado Executivo da Amcham-São Paulo.  Ele é administrador de empresas, pós-graduado em Produtividade e Qualidade Total e tem MBA em Gestão Empresarial. O professor se destaca por realizar palestras em todo o País sobre vendas, motivação, liderança e outros desafios envolvendo a gestão de pessoas.  Ele é ainda o autor de vários livros, entre eles "Talento - É fazer coisas comuns de forma extraordinária" (editora Impetus).

No final da reunião na Amcham, Menegatti concedeu a seguinte entrevista ao site da Amcham:

Amcham: Qual o principal conflito no meio corporativo e como se deve lidar com ele?
José Emilio Menegatti: Hoje existe uma diversidade muito grande de gerações, pessoas de variadas faixas de idade trabalhando e convivendo no mesmo ambiente de trabalho e, seguramente, por apresentarem diferentes formas de pensar e objetivos, mais cedo ou mais tarde acabam entrando em algum tipo de conflito. A minha abordagem não está na resolução de conflitos, mas sim, em como administrá-los. Por mais que a palavra conflito traga uma conotação de algo negativo, pesado e que deve ser extirpado de um departamento ou de uma organização por completo, há um lado positivo a ser explorado. As diferenças de ideias geram resultados interessantes e até maiores do que se qualquer uma das partes tentasse fazer sozinha. Por exemplo, quando dois engenheiros discutem um projeto, o resultado desse conflito é um projeto mais qualificado do que o daquele que cada um poderia fazer individualmente.

Amcham: Empresas que disseminam a inovação em suas culturas, mais abertas a novos tipos de contribuições e ideias, têm um volume maior de conflitos?
Prof. Menegatti:
Existem empresas onde as pessoas não são motivadas a levar ideias. Dessa forma, há pouca criatividade, inovação e muita aceitação e, com isso, o nível dos conflitos diminui bastante. Agora, a partir do momento em que a empresa entende que o conflito é importante para seu crescimento para não estagnar diante da competitividade, da necessidade de buscar cada dia mais e melhor, ela precisa incentivar a vinda de ideias. Quando as companhias fomentam isso, os conflitos se ampliam e, nesse caso, são necessários os canais de entendimento para que isso tudo entre em prática.

Amcham: E os conflitos entre líderes e subordinados?
Menegatti:
Claro, existe também conflito de hierarquia, principalmente porque, atualmente, há muita liberdade de voz e oportunidades para se falar o que se pensa. É preciso ter cuidado com isso também, limites do que se abordará, sem desrespeitar as hierarquias.

Amcham: Os problemas de relacionamento representam grande parte das demissões?
Prof. Menegatti:
Sim, estudos mostram que quase 90% dos desligamentos acontecem por dificuldades no relacionamento interpessoal, não por falta de competência. Ou seja, as pessoas têm mais dificuldades de se relacionarem do que de entenderem o que precisa ser feito.

Amcham: O que as empresas podem fazer para criar um ambiente mais interativo?
Menegatti:
Devem dar oportunidades para que as pessoas possam ter esse tipo de conversa, muitas vezes disponibilizando locais específicos e criando situações,  momentos para encontro ou desencontro de ideias.

Amcham: Diante dos conflitos, como os profissionais devem agir?
Menegatti:
Os profissionais precisam ter disposição para buscar o entendimento. É preciso que se identifique a causa exata do conflito. Na maioria das vezes, os motivos são pequenas discussões, bobagens, coisas simples que acabam se transformando em algo maior, até que se perca o controle. Outra orientação para quem está no meio do conflito é estudar o melhor horário e o melhor lugar para conversar com a outra pessoa. Muitas vezes, o local não é a empresa, mas sim um local neutro. Quanto ao  horário, talvez não seja aquele em que uma pessoa esteja querendo ‘estrangular’ a outra. O  melhor momento é aquele em que as coisas já estão mais calmas, quando a ‘poeira já baixou’, sendo possível chegar a um bom termo, sem baixar o nível da conversa.

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