Empresas ganham talentos com mais oportunidade para as mulheres

publicado 28/08/2013 15h52, última modificação 28/08/2013 15h52
São Paulo – Presidente da Boeing e executivas da HP, KPMG e Bain & Company discutem liderança feminina
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Em número, há tantas mulheres quanto homens no mercado de trabalho. Nas peneiras para cargos juniores, elas costumam se sair melhor, dizem especialistas em RH. Mas à medida que avançam na carreira, vão perdendo espaço para eles justamente nas posições de liderança. “Temos uma iniciativa global de estudar esse tema. O desafio comum que notamos é a escalada corporativa: a mulher entra no mercado, mas não sobe ao topo”, comenta Luciana Batista, gerente sênior da Bain & Company.

Ela participou do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo, quarta-feira (25/08), para apresentar a recente pesquisa do grupo sobre a disparidade de gêneros nos postos de liderança (leia mais aqui).

O assunto chamou atenção da consultoria enquanto discutia formas de ampliar a oferta de talentos para seus clientes no mundo, conta Marcial Rapela, sócio da Bain & Company. “Há uma demanda maior do que a oferta de talentos. Viu-se que as empresas que trabalhassem esse tema, homens e mulheres na liderança de forma igual, teriam mais ofertas de talentos”, destaca.

Segundo Luciana, a pesquisa indica três correntes como causa dessa disparidade: prioridades conflitantes entre trabalho e atribuições familiares, diferenças de estilos entre homens e mulheres no comando das ações e o viés organizacional que privilegia liderança masculina.

Políticas

Donna Hrinak, presidente da operação brasileira da Boeing e ex-embaixadora dos EUA no Brasil, diz que as três respostas vêm do mesmo cenário de quando iniciou a carreira, há quatro décadas. “Recentemente, peguei uma revista de negócios nos Estados Unidos que dizia que aspectos femininos, como ser emocional, mandona e querer se dar bem com todos, eram ruins. Há 40 anos o raciocínio é o mesmo”, afirma.

Ela afirma que é preciso ter políticas públicas que incentivem a paridade e regras que assegurem a transparência. “No serviço público, por exemplo, os salários são todos publicados. A transparência ajuda a ver onde está errado”, cita.

A igualdade de oportunidades entre profissionais de gêneros distintos deve ser analisada, ainda, sob a ótica de negócios, defende Cristina Bonini, diretora de pessoas, cultura e performance da KPMG. Ao decidir sobre contratações e promoções, os líderes devem considerar as competências em jogo.

Ela se lembra de uma seleção, da qual participou como contratante, em que uma executiva era avaliada. No processo, um executivo advertiu que a candidata tinha dois filhos. “Eu perguntei se esse era um atributo, pois assim analisaríamos dos outros candidatos também. Meu líder, que era visionário, esclareceu que isso [a maternidade] não seria discutido porque o foco eram as competências”, recorda.

“A questão é: ao descartar uma profissional mulher de uma promoção, quais as competências que vou perder? Perder gente é perder conhecimento e dinheiro”, destaca Cristina.

Escolhas

O posicionamento da profissional também influencia a escalada corporativa. Tereza Kitty, vice-presidente da unidade de software da HP, comente que, em ambientes em que a presença feminina nos postos-chave ainda não é tão valorizada, uma saída é se espelhar em role models que tenham os mesmos valores. “E ser o melhor profissional que puder ser, independentemente de ser homem ou mulher”, cita.

Ela ressalta que as mulheres devem considerar suas pessoalidades sem abrir mão das carreiras. Abraçar cada oportunidade, diz, é o importante para conquistar seu espaço.

“Ainda vejo moças bem novas perguntando como lidar com a família e a profissão. Acho que não temos de aceitar ‘nãos’, não temos de escolher ou um ou o outro”, afirma. “Temos direito a tudo e é esse tudo que faz a vida emocionante”, declara.

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