Empresas investidas por fundos de private equity crescem mesmo na crise, afirmam gestores

publicado 25/02/2016 16h23, última modificação 25/02/2016 16h23
São Paulo – Segundo executivos, ainda há boas oportunidades de investimento, com empresas líquidas
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Empresas investidas por private equity têm bons resultados mesmo durante a crise, afirmam gestores de fundos que participaram do Seminário Otimização da Estrutura de Capital e Dívida da Amcham – São Paulo, quinta-feira (25/02). A modalidade é uma alternativa de crédito para companhias com boa gestão e capacidade de crescimento.

Segundo o professor Cláudio Furtado, coordenador do Centro de Estudos de Private Equity da Fundação Getúlio Vargas, que moderou o debate, a operação de Private Equity não é uma solução para a crise, mas para o crescimento de empresas, no entanto, a crise pode apresentar oportunidades para empresas que querem crescer, estão bem estruturadas e estão com dificuldades de levantamento de crédito.

“Em período de crise e PIB zero, empresas de grande porte cresceram 9% ao ano e, as de médio, 15% ao ano”, relata Ricardo Kanitz, sócio da Spectra Investimentos, sobre análise das empresas que têm cotas dos fundos investidos pela gestora, em cima de resultados de 2011 a 2015.

Paulo Mordehachvili, sócio da Axxon Group, cita que uma das empresas investidas pela gestora cresceu dez vezes em quatro anos, de 2006 a 2010. “A primeira ação que fizemos, quando entramos, foi fechar uma unidade da companhia para focar em outros vetores de crescimento”, conta. Para ele, o principal motivo por trás da performance sãos projetos de eficiência das companhias aptas a receber investimentos.

A própria indústria de fundos também apresenta resultados positivos. “Desde junho de 2012, a gente cresce 40% ao ano, em média”, afirma Carlos Miranda, CEO da BR Opportunities.

As empresas investidas cresceram, mas a crise refletiu sobre as candidatas a receber os fundos. De acordo com Wilson Rosa, sócio da Advent International, até 2013 somente 13% das transações eram primárias. Agora, são quase metade. “Muitas empresas boas estão em situação de caixa difícil”, explica.

E apesar do cenário sombrio na economia brasileira, os fundos seguem otimistas. No longo prazo, ainda há crença no país, avalia Mordehachvili.

As oportunidades estão nas empresas líquidas, muitas delas empresas de família, segundo Miranda, cuja gestora fez nova captação nos Estados Unidos, no início do ano. “A gente não nega a crise, mas o investidor olha e vê o mundo real. Tem muita oportunidade para 2016”, destaca.

“A barra subiu, mas não desapareceu o apetite em investir em empresas boas do Brasil, independente da situação da macroeconomia”, completa Wilson Rosa.

Empresas atraentes

Os fundos buscam empresas com alto potencial. Para Miranda, os possíveis investidos têm de ser “empreendedores excepcionais.”

Wilson Rosa afirma que não há uma fórmula pronta para determinar a empresa apta e que cada caso é analisado individualmente. Para ele, o principal requisito para a negociação são os controles internos muito bem feitos, com balanços internos auditados. Ter um projeto claro de crescimento e sistemas adequados para tanto também impressionam.

Eventuais contingências, do passado e recorrentes, devem ser postas à mesa desde o início da negociação para maximizar as chances de negócio. “Nossa religião é formar empresa muito melhor do que quando investimos”, diz o sócio da Advent International.

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