Empresas precisam estar atentas à capacitação dos líderes

por gustavo_galvao — publicado 25/04/2013 16h38, última modificação 25/04/2013 16h38
São Paulo – Treinamento de universidades corporativas deve ter efeito prático no desempenho profissional
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“Não vivemos um apagão de talentos, mas um apagão de líderes”, disse Armando Lourenzo, diretor da Ernst & Young University, durante o Comitê de Gestão de Pessoas realizado nesta quinta-feira (25/04) na Amcham-São Paulo. Ele acredita que existe hoje uma dificuldade em encontrar pessoas capazes de encabeçar equipes e, principalmente, melhorar o trabalho delas dentro da empresa. Por isso, a estratégia deve ser o investimento na capacitação desses profissionais.

Mas é preciso diferenciar gestor de líder, ressalta Carlos Netto, diretor de Gestão de Pessoas do Banco do Brasil. Ele participou do comitê junto com Gabriela Padrón, reitora da McDonald’s University, e Rita de Cássia Braghetti, gerente sênior da Universidade Corporativa Fleury. “Líder pressupõe uma equipe e a percepção da forma como ele interfere na dinâmica dessa equipe”, explicou Netto. 

De acordo com ele, é preciso buscar profissionais que não tenham apenas a vontade de gerir um departamento, mas que realmente sejam capazes de alcançar uma liderança. “É importante a pessoa ter noções das ferramentas no ambiente de trabalho, mas ser um líder integral é conhecer 360 graus da empresa”, complementou Gabriela Padrón, da McDonald’s University.

Diante dessa necessidade, a Universidade Corporativa Fleury criou a Escola de Lideranças. Rita de Cássia Braghetti, gerente sênior do centro de capacitação, explicou que procura oferecer treinamentos aos chefes de cada setor para uma atualização constante. “A gente atinge todos os níveis de liderança de organização, desde os programas de trainees até o conselho”, explicou. 

Da teoria à prática

Entre os diretores de universidades corporativas que participaram do comitê, houve um consenso. Todos eles disseram que é preciso avaliar se a capacitação oferecida tem resultado prático no desempenho profissional.  “Se as pessoas não aplicam o que aprenderam, vai existir uma dificuldade em ter um retorno de investimento”, enfatizou Armando Lourenzo, da Ernst & Young. 

Para identificar a aplicação dos conceitos aprendidos na universidade corporativa, é preciso avaliar os resultados. “58% dos participantes dos cursos procuraram fazer a diferença dentro do McDonald’s, nas vendas e nas metas de produtividade”, informou Gabriela Padrón, que começou na empresa como atendente e, a partir dos programas de capacitação, foi evoluindo até chegar ao cargo atual, como reitora da universidade corporativa.

Como uma forma de se aproximar da realidade do funcionário, o Banco do Brasil criou uma rede social com os cursos indicados para cada perfil. “A nossa educação corporativa trabalha na lógica de trazer exercícios para o cotidiano do trabalho, com o portal que oferece ensino à distância e aponta uma trilha de carreira de acordo com a função”, contou Carlos Netto. De acordo com ele, é necessário permitir que o funcionário entenda o significado, a organização e as competências que devem ser desenvolvidas e aprimoradas no exercício profissional.

 
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