Empresas que buscam ampliar o grau de comprometimento devem dar atenção especial ao lado emocional dos colaboradores

por giovanna publicado 14/04/2011 16h46, última modificação 14/04/2011 16h46
Daniela Rocha
São Paulo – Para Paulo Gaudencio, médico psiquiatra e consultor de empresas, essa é a receita para realizar mudanças corporativas com sucesso.

As companhias que querem ampliar o grau de comprometimento de suas equipes devem selecionar e reter profissionais alinhados com seus valores, observando se as características comportamentais são condizentes com a realidade da corporação. Atenção especial deve ser dada ao quociente emocional (QE, relacionado aos sentimentos), não apenas ao quociente intelectual (QI, ligado à razão), no qual as corporações costumam colocar mais foco.

Essa é a receita das companhias que obtêm sucesso nos processos de mudanças e na condução de novos projetos, segundo Paulo Gaudencio, médico psiquiatra e consultor de empresas, autor de diversos livros, entre eles “Men at Work” (1995) e “Mudar e Vencer” (1999), ambos da editora Gente.

“A conquista do comprometimento no meio corporativo se dá quando há respeito ao QI e também ao QE. É preciso viver as emoções de maneira adequada no papel profissional. As pessoas falam o que pensam e agem conforme sentem. Se abafam a parte de sentir, não atuam em sua plenitude”, explica o especialista, que participou nesta segunda-feira (18/04) do comitê de secretariado executivo da Amcham-São Paulo.

Características

Ele elencou o conjunto de características que devem ser conferidas nos profissionais:

• QI: capacidade de gerar, planejar boas ideias e de se expressar;
• QE: capacidade de realizar, colocar em prática, ação total ou parcial da ideia.

Gaudencio citou que a revista americana Fortune publicou recentemente uma pesquisa global mostrando que, de cada dez tentativas de mudança que se fazem em uma organização, apenas quatro têm pleno sucesso; as outras seis representam gasto de tempo e dinheiro.

O resultado positivo é atribuído, conforme o médico, ao comprometimento dos profissionais. Já a parcela de fracasso é tão elevada porque as empresas têm dificuldades de detectar e respeitar a inteligência emocional dos funcionários conforme as funções que assumem, reduzindo assim o nível de engajamento.  “O discurso de todos é maravilhoso. Falar é a coisa mais fácil. O grande desafio é justamente agir”, comentou.

De acordo com ele, os profissionais que se identificam com a cultura das empresas e têm suas emoções respeitadas são mais felizes, e ainda obtêm maior desempenho e espaço para desenvolvimento. “Em situação contrária, as pessoas adoecem”, alertou Paulo Gaudencio.

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