Empresas que permitem diversidade de ideias e comportamentos são mais propícias à inovação

por andre_inohara — publicado 30/09/2011 16h52, última modificação 30/09/2011 16h52
André Inohara
São Paulo – Gestão da diversidade abrange desde competências profissionais a políticas para portadores de necessidades especiais.
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Quando promovem a coexistência dos mais variados níveis de diferenças físicas e culturais, as corporações incentivam a coexistência de pensamentos e atitudes que podem convergir para ideias criativas de novos processos e produtos.

“As pessoas agem de forma diferente porque são diferentes. Se uma empresa buscar funcionários de perfil único, sempre terá os mesmos resultados”, disse o professor da Universidade de São Paulo (USP) Roberto Coda,  um dos debatedores do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (30/09).

Uma das formas de administrar a diversidade é identificar os estilos comportamentais para o desenvolvimento das competências profissionais mais adequadas a cada perfil.

Coda criou uma metodologia de identificação de competências profissionais por meio de perfis comportamentais. “Meu método ajuda a alocar pessoas no ambiente de trabalho, de acordo com a personalidade e respeitando as diferenças naturais, para a otimização dos resultados corporativos”, definiu.

Diversidade como diferencial competitivo

A tolerância à diversidade nas empresas evoluiu muito nos últimos anos, tendo como impulso o surgimento de políticas de inclusão social tanto no Brasil como no mundo.

No início, as empresas seguiam as determinações legais de contratação, em regime de cotas, de pessoas portadoras de necessidades especiais e jovens aprendizes.

O Grupo Pão de Açúcar, maior rede supermercadista do Brasil, possui vários programas formais de apoio à diversidade. Alguns deles são voltados para a contratação de jovens aprendizes e outros, para a terceira idade.

A gestão da diversidade é um fator de inclusão social, disse Sylvia de Souza Leão, diretora executiva de Pessoas do Grupo Pão de Açúcar.
“Diversidade é muito mais do que aceitar as minorias. É entender que ela é uma alavanca que integra a companhia e fortalece sua cultura”, observou.

Sylvia considera que a tolerância à diversidade também é uma vantagem competitiva no varejo, ramo em que atua. Como as jornadas de trabalho são extensas e vão de segunda a domingo, é preciso criar atrativos.
“Uma vez que valorizamos a diversidade, conseguimos atrair muitos jovens que, por natureza, são mais idealistas”, comentou.

Conscientização de gestores

Na Comgás, um dos focos da gestão da diversidade é a conscientização dos executivos. Eles são estimulados a entender e aceitar as diferenças, descreve Célia Maria Dutra, diretora de RH da Comgás.

“Nos processos seletivos, constatamos que os gestores sempre tendiam a selecionar candidatos que possuíam perfil semelhante ao deles”, revelou.

Para a diretora, os gestores demonstravam pouca sensibilidade ao lidar com o que era diferente. “Há o desafio, para os gestores, de aceitar um funcionário com ideias distintas e que traz muitos questionamentos.”

Outro ponto de resistência mencionado por Célia é o de que, estando voltados para os resultados corporativos, os gestores ficavam impacientes ao dedicar tempo para dar treinamento e orientações aos colaboradores.

Comitê de diversidade

Para disseminar o respeito ao diferente, a Kraft Foods criou comitês de diversidade em todos os países em que atua. Esses grupos são formados por funcionários de todos os setores, disse Roseli Marinheiro, diretora de RH da Kraft Foods.

No Brasil, o comitê desenvolveu o Dia D, de diversidade, no qual as pessoas podem mostrar o que elas têm de diferente. “Muitos montaram bandas de música, outros revelaram dotes artísticos e alguns organizaram grupos de oração”, contou Roseli.

Além disso, os programas de apoio a pessoas com necessidades especiais já têm gerado resultados. “Temos pessoas portadoras de necessidades se desenvolvendo profissionalmente.”

O programa de inclusão de deficientes físicos superou o limite mínimo legal de 6% do quadro de funcionários. “Não temos dificuldade nenhuma em atrair, reter e desenvolver esse pessoal”, acrescentou Roseli.

O resultado das iniciativas de apoio à diversidade têm sido percebidos no ambiente de trabalho. “A Kraft tem sido apontada como uma das empresas com um dos melhores ambientes de trabalho”, informou a diretora.

 

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