Empresas usam programas de educação financeira para melhorar o desempenho dos colaboradores

publicado 11/08/2015 16h24, última modificação 11/08/2015 16h24
Recife - Comitê de Gestão de Pessoas discutiu o papel do RH em momentos adversos. Conselho é apostar no bem-estar dos funcionários e evitar demissões
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Há tempos as empresas sabem que benefícios financeiros não bastam para reter e atrair talentos. Cientes de que a qualidade de vida dos funcionários interfere diretamente no aumento e qualidade da produtividade, várias companhias têm apostado em programas de educação financeira para seus colaboradores, a fim de que a desorganização das contas não seja levada ao trabalho. Para discutir os benefícios dessas medidas e as formas de implementação delas na empresa, além de tratar de estratégias alternativas à demissão, a Amcham Recife realizou na última terça-feira (11/8), o Comitê de Gestão de Pessoas com o tema “O papel do RH em tempos adversos”.  Participaram do evento o planejador financeiro Eduardo Armbrust e a advogada Simony Braga.

De acordo com Armbrust, o número de empresas adotando programas de educação financeira para os colabores tem aumentado em função das vantagens econômicas indiretas. “Quando a vida financeira está em ordem, as dívidas estão sob controle e a pessoa direciona o salário em prol de um objetivo (em vez de gastar aleatoriamente e sem critério), os ganhos são claros. Primeiro, o funcionário fica menos propenso a cometer fraudes, por exemplo.” E as fraudes vão desde as maiores, como roubo, até as menores, como levar material de escritório para casa.

O consultor acrescenta que a partir do momento que o colaborador adota um planejamento financeiro, as chances dele se tornar mais organizado e com uma autoestima mais alta, melhorando seu desempenho funcional. Ele ressalta que tais programas são úteis para todos os cargos, já que o déficit de educação financeira não costuma fazer distinção de classe social.

Entre as medidas corporativas que podem ser utilizados nessa área Eduardo Armbrust cita desde as mais simples, como contratação de palestras sobre educação financeira, até os mais complexos, como cursos de duração de um a dois meses de planejamento financeiro. “Algumas empresas chegam a oferecer um 0800 para funcionários possam ligar para falar sobre problemas financeiros que têm enfrentado.”

DESVANTAGENS DA DEMISSÃO

Também participou do Comitê de Gestão de Pessoas a coordenadora da área de direito do trabalho do escritório Da Fonte Advogados, Simony Braga, que discutiu, do ponto de vista da gestão, a importância de evitar ao máximo reduzir postos de trabalho, mesmo em momentos de crise.

“A demissão deve ser um dos últimos recursos quando se pensa em corte de gastos, pois a rotatividade dos funcionários causa prejuízos econômicos indiretos, já que afeta a produtividade da equipe”, destaca a advogada. “Mas um dos piores efeitos é o da desmotivação da equipe. A incerteza quanto à manutenção do emprego causa um clima de insegurança que afeta muito o trabalho.”  A especialista recomenda optar por uma revisão da quantidade de horas-extras que cada funcionário realiza, buscando racionalizar a produção do trabalho.

Em relação às ferramentas jurídicas de que as empresas podem se valer, Simony cita o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), lançado pelo governo federal no mês passado, que permite às empresas que aderirem ao programa (caso se encaixem em determinados critérios, como comprovada redução da produtividade em função da crise) reduzir em até 30% os salários de seus colaboradores. Além disso, há a possibilidade de férias coletivas e afastamento temporário do colaborador para realização de cursos. 

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