Entenda os programas do governo federal e da ONU para a diversidade nas empresas

publicado 04/09/2015 12h10, última modificação 04/09/2015 12h10
São Paulo – Objetivo principal é promover igualdade de condições para a mulher no mercado de trabalho
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Os programas da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e da ONU Mulheres para a igualdade de gênero no mercado de trabalho são voluntários e oferecem parâmetros que podem auxiliar no diagnóstico da situação nas empresas e no desenvolvimento de práticas adequadas.

Criado em 2005, o Programa Pró-Equidade Gênero e Raça, da SPM, promove o acesso ao trabalho, permanência, ascensão e à remuneração. Ele tem compromisso com igualdade de gênero e raça, priorizando gestão de pessoas e cultura organizacional da empresa.

“A questão racial é muito importante porque se a mulher já enfrenta dificuldades, a mulher negra enfrenta dificuldade maior ainda”, comenta Simone Schaffer, coordenadora-geral de Autonomia Econômica das Mulheres na Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). Saiba mais sobre o programa no vídeo abaixo.

 


Ela detalhou o programa no Encontro sobre Diversidade na Amcham – São Paulo, quinta-feira (03/09), ao lado de Adriana Carvalho, assessora para Empoderamento das Mulheres na ONU Mulheres. Participaram também Maria Elisa Curcio, diretora de Relações Governamentais da Avon, e Raïssa Lumack, vice-presidente de Recursos Humanos da Coca-Cola, que comentaram as experiências de suas companhias em diversidade (leia mais aqui).

Na prática

O programa da SPM também prevê a difusão de práticas exemplares de igualdade de gênero dentro das organizações.

Atualmente, 83 organizações participam da 5ª edição do programa, envolvendo mais de 1 milhão de funcionários, sendo 45% deles mulheres. Entre os benefícios garantidos por essas instituições, há creches no local de trabalho ou auxílio-creche, sala de amamentação, licença paternidade estendida e licença maternidade de 180 dias.

Há outras ações de destaque desenvolvidas pelos participantes: adequação de uniformes e equipamentos de proteção para mulheres; incentivo de mulheres em áreas tecnológicas; garantia de mulheres negras em peças publicitárias; disseminação da cultura de equidade para as empresas parceiras; e adoção de linguagem inclusiva em documentos como editais de contratação. “Muitos editais contém termos como ‘vagas para arquiteto’ e ‘vagas para engenheiro’ todos no masculino. Isso inibe porque a profissional vê que não há espaço para mulheres nesse lugar,” explica Simone.

A SPM abriu inscrições para a sexta edição do programa. As organizações interessadas podem se candidatar até 20 de janeiro de 2016. Ao participar, a empresa elabora uma ficha com seu perfil e um plano de ação com informações de como irá desenvolvê-lo, de forma transversal e interseccional. O site do programa (clique aqui) tem as informações completas.

O programa não tem sentido fiscalizatório e o acompanhamento da secretaria é de orientação, ressalta a coordenadora. As informações são todas confidenciais. Empresas que alcançam o mínimo de 70% de execução das ações pactuadas com desempenho satisfatório ou muito satisfatório recebem o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça.

WEP’s

O Women’s Empowerment Principles (Princípios de Empoderamento das Mulheres) faz parte das iniciativas da ONU para eliminar a discriminação e a violência contra a mulher. Os sete princípios têm como objetivo a promoção das mulheres no mercado de trabalho, seu desenvolvimento e igualdade de condições, como salário no mesmo patamar que o de profissionais homens.

O site do WEP’s (clique aqui), que também realiza prêmios global e nacional, apresenta todos os princípios e os formulários para grandes e pequenas empresas, com os quais se obtém um diagnóstico da organização.

“O primeiro princípio está relacionado ao sétimo,” diz Adriana Carvalho, assessora para Empoderamento das Mulheres na ONU Mulheres. Enquanto o número expõe a necessidade de uma liderança sensível à igualdade de gênero, o último indica a mensuração, documentação e publicação dos progressos da empresa na promoção da equidade de gênero.

“É importante usar os princípios para olhar em que fase a empresa está e então traçar seu plano,” recomenda.

Ela cita pesquisas que mostram que o empoderamento feminino impulsiona os negócios e os resultados financeiros das organizações, além de estimular a economia dos países. “Há também a sustentabilidade, relacionada em relatórios como o GRI (Global Reporting Initiative). Os consumidores estão mais conscientes,” observa.

Adriana destaca que o papel do RH chave para essa missão. “Para começar, comece simples, com duas ou três ações. Todo mundo pode”, indica.

Encontro Diversidade São Paulo do dia 3/9

 

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