Escolas de negócios precisam trabalhar novas formas de transmitir conteúdo

por andre_inohara — publicado 25/03/2011 15h17, última modificação 25/03/2011 15h17
André Inohara
São Paulo – Recursos audiovisuais e interativos se tornam cada vez mais comuns nas salas de aula para otimizar o tempo escasso dos estudantes.
escolas_materia.jpg

A escassez de tempo dos executivos e a interação possibilitada pelas tecnologias de comunicação são fatores que levam as escolas de MBA a, cada vez mais, repensar o formato das aulas. E não é apenas o modo de dar aula, mas também a de transmissão de conteúdo, disse o diretor da Business School São Paulo (BSP), Gilberto Guimarães.

“Todas (as escolas) estão em forte processo de repensar a forma de ensinar. A tendência é de revolução no método de ensino, com ferramentas que permitam um aproveitamento melhor”, disse Guimarães, durante a reunião do comitê de Gestão de Pessoas na Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (25/03).

Guimarães cita o exemplo crescentemente comum do uso de conteúdo audiovisual, como filmes e animações. A interatividade também já é uma realidade, possibilitada pelas plataformas móveis, como notebooks e tablets, dentro das salas de aula. “As escolas tradicionais estão pouco a pouco incorporando isso em sua metodologia”, completou.

O coordenador do MBA Executivo Internacional e diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA), James Wright, acrescenta a necessidade de dinamismo no conteúdo das aulas, onde “os cursos têm de ser práticos, abrangentes e explorar toda a experiência dos profissionais”.

Outra razão apontada por Wright é que o executivo brasileiro é exposto rapidamente a um ambiente competitivo muito difícil. Para ele, as empresas nacionais são, em geral, menores que as grandes concorrentes internacionais, e têm de contar mais com a capacidade de seus funcionários.

Inovar e enxergar o futuro

Para Wright, as escolas de negócios precisam preparar executivos que sejam aptos a inovar e tenham visão de futuro. “As empresas querem gente atualizada, capaz de promover inovações e com habilidades técnicas e comportamentais”, comentou.

No mercado global, o executivo brasileiro é tido como um dos que mais facilmente se adaptam aos diferentes ambientes, além de possuirem uma capacidade superior ao padrão. “Em pesquisas com nossos alunos, ficou claro que os egressos têm sensibilidade intercultural acima da média e facilidade de atuação internacional”, afirmou Wright.

Por outro lado, os brasileiros deixam a desejar na habilidade analítica de dados e no foco em processos empresariais. “Procuramos sempre trabalhar isso nos cursos.”

Tanto Wright como Guimarães, no entanto, pontuam que as escolas têm de ensinar seus alunos a pensar por si próprios, a partir das informações transmitidas nas salas de aula. “Escola dá conhecimento, e não competência. Ela é fruto da aplicação do conhecimento”, disse Guimarães.

registrado em: