Escorregadas nas redes sociais fazem empresas dobrarem atenção à etiqueta coorporativa

publicado 02/10/2015 11h23, última modificação 02/10/2015 11h23
São Paulo – Confusão entre pessoal e profissional e extremismos são principais erros, diz consultora
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As redes sociais modificaram a vida das pessoas para o bem e para o mal também no âmbito profissional. Se nas décadas de 90 e 80 as empresas precisavam recorrer às consultorias de etiqueta para ensinar aos funcionários como se vestir no trabalho, hoje elas voltam a contratá-las para dar noções do que postar e curtir para não queimar a imagem da companhia e a de si mesmos.

A procura por consultoria quase dobrou desde o boom das redes, afirma a professora e consultora de etiqueta empresarial Elisabeth Farina. “Dessa nova demanda, 90% são por problemas relacionados aos meios digitais”, garante a autora do livro “A etiqueta que faz a diferença nas empresas” (editora Novatec), que esteve no comitê aberto de Secretariado da Amcham – São Paulo na quinta-feira (1º/10).

“A etiqueta corporativa voltou com força muito maior, agora. Como estamos em uma época mais livre e descontraída, as pessoas confundem um pouco o pessoal com o profissional”, afirma.

A questão é que os selecionadores vasculham a internet atrás dos candidatos, procurando mais informações sobre seus perfis, para avaliar se são adequados ou não às vagas. Quem já está contratado também não escapa da vigilância. “Há uma sensação de liberdade, mas estamos cada vez mais escravos das redes, que viraram uma vitrine em que todos sabem o que os outros fazem”, cita.

O que se posta e até uma curtida dão pistas de quem a pessoa é ou gostaria de ser. A maneira com que se comenta um post ou responde a um e-mail também entra nessa avaliação.

“Recentemente, fui chamada para atuar junto a funcionários de uma empresa porque uma funcionária destratou, por e-mail, uma profissional do principal fornecedor. O problema quase provocou o rompimento do contrato”, conta Elisabeth.

Tentando evitar a violação da privacidade de pacientes, o Conselho Federal de Medicina divulgou, em setembro, resolução proibindo médicos de postarem selfies durante os procedimentos e montagens de “antes e depois”, especialmente de intervenções estéticas.

O posicionamento da entidade também mostra que há exageros de comportamento, diz a consultora. “As pessoas postam o que pensam e não medem os erros que cometem contra elas mesmas e à imagem das instituições”, diz.

Elisabeth ressalta que a regra geral antes de postar ou comentar algo na internet é a mesma para outros comportamentos: usar o bom senso e avaliar todas as consequências possíveis. “Veja se não há exageros ou contradições”, indica.

Dicas da consultora para não queimar o filme nas redes sociais:

- Não fale mal de emprego antigo (e também do atual) ou faça comentários discriminatórios

- Nunca misture pessoal com profissional. Cuidado com a abordagem em perfis de colegas de trabalho. E jamais emita comentários de cunho pessoal em redes profissionais

- Não escreva de cabeça quente. Se tiver de responder uma mensagem contraditória com urgência, priorize o tom respeitoso e amável

- O que é postado fica para sempre. Mesmo apagando o post depois de um arrependimento, alguém sempre dará print do deslize para guardar ou compartilhar

- Cuidado com o que compartilha, pois seu comportamento pode ser configurado como bullying. Coloque-se no lugar da pessoa exposta

- Atenção a atitudes exacerbadas, como a postagem frenética de selfies. Isso pode denotar insegurança

- Fique esperto com o corretor ortográfico, que pode mudar uma palavra automaticamente e alterar o sentido da comunicação

- Se fizer parte de algum grupo de discussão, mantenha o foco e não desvie o assunto, principalmente para aspectos pessoais. Seja respeitoso mesmo discordando

- Na internet, é comum se sentir confortável para atacar. Coloque-se no lugar do outro, pergunte se compensa continuar o conflito e quais as possíveis consequências

- Faça autoavaliação sempre, em qualquer circunstância

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