Estresse na pandemia: falta de repouso pode levar ao burnout no trabalho

publicado 15/04/2021 14h56, última modificação 15/04/2021 17h52
Segundo Tal Ben Shahar, pessoas saudáveis e felizes têm mais tempo para se recuperar do dia a dia e mantêm uma rotina de pausas
Estresse na pandemia

Estresse na pandemia é causado por falta de repouso, como afirma Tal Ben Shahar afirma em nosso Fórum de Gestão de Pessoas

 O aumento do estresse na pandemia tem acontecido no mundo inteiro. Entretanto, para Tal Bem Shahar, especialista israelense e autor de best-sellers, o problema não é o estresse em si, mas sim o pouco ou inexistente tempo de recuperação. “O estresse é bom porque indica que chegamos ao nosso limite e devemos dar uma pausa”, analisa.  

Além disso, ele cita o estresse como impulsor do que ele chama de antifragilidade, que é a capacidade de passar por situações adversas e sair mais forte delas. O problema persiste quando o tempo de recuperação é negligenciado. “As pessoas saudáveis, felizes e bem-sucedidas têm mais tempo de recuperação e mantêm uma rotina de pausas”, afirma.  

Portanto, Tal afirma que o burnout (distúrbio causado pela exaustão extrema no trabalho) é o efeito de estresse sem pausas para recuperação. A informação é um alerta para a saúde mental dos colaboradores, uma vez que os níveis de estresse estão aumentaram significativamente durante a pandemia, especialmente no Brasil: um levantamento do Conselho Federal de Farmácias mostrou um crescimento de 17% na venda de antidepressivos durante a pandemia.  

 

MENOS ESTRESSE NA PANDEMIA E MAIS FELICIDADE 

“A felicidade é importante porque faz com que os funcionários sejam mais criativos, produtivos, trabalhem melhor em equipe e tenham uma saúde física melhor, diminuindo os níveis de absenteísmo”, explica o especialista. Sendo assim, para aumentar os níveis de felicidade é preciso aumentar o tempo de recuperação em três níveis: micro, médio e macro.  

No nível micro, as pausas podem ser feitas em minutos ou horas, com pausas para café, uma caminhada ou um exercício, por exemplo. Já no nível médio, as pausas são feitas em tempos maiores, como noites inteiras bem dormidas e dias de descanso – fim de semana, por exemplo. Por fim, o nível macro conta com pausas maiores de semanas ou até mesmo meses, como férias, por exemplo. “Precisamos de tempo para nos recuperarmos de verdade, para nos tornarmos mais fortes e menos frágeis”, pontua Tal. 

Outro fator impulsor da felicidade são os relacionamentos de quaisquer tipos (afetivos, familiares, de amizade, de trabalho). Um estudo conduzido por pesquisadores de Harvard durante 75 anos com as mesmas pessoas mostrou que as interações humanas estão diretamente relacionadas com os níveis de alegria. “Todos nós enfrentamos desafios e lidamos muito melhor com eles se temos um suporte social”, observa o especialista israelense.  

Tal acrescenta que os resultados são mais positivos quando as interações são presenciais em e não virtuais. Porém, em momentos de isolamento social, quanto isso não é possível, é importante manter o máximo de contato e conservar relacionamentos profundos em detrimentos dos superficiais. 

Para Tal, que esteve presente em nosso Fórum de Gestão de Pessoas, no dia 08 /04, relacionamentos profundos demandam apenas passar tempo com alguém: “Podemos ter relacionamentos profundos mesmo que eles sejam através da tela ou conversando no telefone, o que importa, na verdade, é estar ali pelo outro e saber que o outro está por você”.