Estudo aponta saídas para investir em eficiência energética

publicado 20/05/2015 14h59, última modificação 20/05/2015 14h59
São Paulo – Especialistas discutem propostas e projetos que se viabilizam financeiramente
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Empresas de diferentes tamanhos e setores ainda têm dificuldades para investir em eficiência energética, o que geraria ganhos de competitividade e ambientais. Um estudo do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) mostra que as organizações encontram barreiras internas, nas instituições financeiras e em outros agentes do mercado (ESCOs, distribuidoras/geradoras de energia, produtores de equipamentos) para levar os projetos a cabo.

O problema e as possíveis soluções foram discutidos no comitê aberto de Energia da Amcham – São Paulo, terça-feira (19/05). Participaram Sérgio Bajay, pesquisador sênior do NIPE (Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético) e professor na FEM/Unicamp; David Canassa, presidente da câmara temática de Energia e Mudança do Clima do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) e gerente geral de Sustentabilidade do Grupo Votorantim; Ary Vaz, gerente de Tecnologias Especiais do Cepel (Centro de Pesquisas de Energia Elétrica); e André Almeida, gerente de vendas da Light ESCO (Empresa de Serviços de Conservação de Energia).

As saídas podem envolver desde políticas públicas com legislação específica e incentivos governamentais a empréstimos fora do balanço. Essa última é uma das propostas do estudo do CEBDS, realizado em 2014.

“Quando se pede financiamento, aumenta o endividamento e o departamento financeiro pode corta-lo. Mas e se a dívida não estivesse na empresa? Esse é a ideia do off balance”, propõe Canassa.

O instrumento se caracteriza pela criação de uma sociedade de propósito específico (SPE) mantida pelo prazo do projeto ou até a meta do programa ser alcançada. A SPE é responsável pela captação e gestão financeira das associadas e faz o pagamento das parcelas à instituição financeira. O financiamento é assegurado pelo capital aportado pelas associadas na constituição da SPE.

“É uma estrutura triangular, com sociedade de propósito específico, que não é ESCO. Trata-se de uma estrutura independente em que todos os equipamentos de eficiência energética ficam e se tem contrato de performance”, esclarece.

Veja mais detalhes sobre a proposta de empréstimo fora do balanço e outras soluções indicadas pelo estudo completo da CEBDS no site da instituição (clique aqui).

Incentivos públicos

No âmbito público, o professor Sérgio Bajay defende leis específicas e incentivos econômicos para a eficiência energética, a exemplo do que ocorre em vários países. No Brasil, já há algumas que promovem resultados nesse sentido, mas é preciso ampliar o número de equipamentos com menor consumo e as exigências quanto aos já existentes.

“É preciso reduzir impostos para produtos mais eficientes, como em outros países. A única medida que já existe é a do IPI para a indústria automotiva por meio do Inovar-Auto”, comenta Bajay.

Segundo o professor, o governo nunca manteve política de longo prazo para eficiência energética, que pode trazer benefícios para vários ministérios, uma vez que os ganhos são de competitividade e de meio ambiente. Para coordenar essas ações, Bajay avalia que é necessário criar uma agência executiva ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), num modelo que já funciona em países europeus.

“O MME não tem conseguido coordenar os programas. Com a agência executiva, ele se concentraria em políticas de longo prazo e metas”, observa.

Bajay concorda com uma proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) de revogar um dispositivo de lei que destina 60% dos recursos de distribuidoras e operadoras para programas de eficiência energética junto a famílias de baixa renda. “Os maiores potenciais de economia, que estão nas classes de maior consumo, não estão nessa faixa”, adverte.

Edificações eficientes

André Almeida, gerente de Vendas da Light ESCO (Empresa de Serviços de Conservação de Energia), deu exemplos de dois projetos de eficiência realizados por meio de financiamento, porém sem contrato por performance.

Um é um sistema de agua gelada para ar condicionado num complexo de prédios comerciais. Já o segundo é de cogeração industrial em uma fábrica de refrigerantes.

“Foram feitos com capital intensivo, com financiamento, mas nenhum sob contrato típico de performance, para o qual se tem dificuldade de comprovar o antes e o depois”, diz.

É possível também alterar a estrutura dos imóveis na busca por economia no consumo de energia, mostra o Guia para Eficiência Energética em Edificações Públicas, do Cepel, no Projeto Esplanada Sustentável. O material, disponível na internet (clique aqui), orienta para diagnósticos e adoção de medidas.

“Um prédio novo, construído com as normas de Etiquetagem PBE do Inmetro, pode alcançar 50% de economia no consumo energético. Um edifício já existente que passa por retrofit pode chegar a 30%, estima Ary Vaz, do Cepel.

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