Ética e compliance são como uma religião, diz CFO da HP

publicado 26/02/2015 15h51, última modificação 26/02/2015 15h51
São Paulo – Desafio é padronizar e antecipar problemas, afirmam especialistas
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O compliance está em pleno processo de maturação no país e o setor de finanças é essencial para sua efetividade nas organizações. A avaliação é de Gustavo de Lucena, sócio da área de Gestão de Riscos Empresariais da Deloitte, e de Marcelo Baldassare, CFO da HP no Brasil.

“A área financeira tem que garantir prestação de contas a conselhos e à direção toda. O desafio é padronizar e antecipar problemas de compliance por meio das atividades de finanças”, afirma Lucena. Os dois participaram do comitê aberto de Finanças da Amcham – São Paulo, terça-feira (24/02).

Não há como escapar do papel das finanças na execução de compliance porque a área é a responsável por garantir que a contabilidade reflita todas as operações da companhia, explica Baldassare. “Os acordos comerciais também têm de ser revisados pela equipe de finanças para evitar, entre outras coisas, que termos da negociação, como a margem de preço, contenham maquiagens”, exemplifica o CFO.

Para que isso ocorra, a área de finanças tem de assegurar qualidade, precisão e transparência, destaca Lucena. “Para tanto, o planejamento estratégico tem de estar alinhado ao compliance”, complementa.

O retorno não se dá apenas na redução de litígios e riscos de corrupção, mas se projeta sobretudo na reputação da companhia. “Empresas que prestam mais contas de compliance e de índices de governança são mais atraentes aos investidores, inclusive as de capital fechado”, ressalta o sócio da Deloitte. “Tem de expor ao mercado suas linhas de compliance. Mas não é necessário apenas ter um programa de compliance, mas estar em compliance”, adverte.

Modelo HP

A estrutura do compliance pode variar conforme a empresa, mas o papel de finanças permanece o mesmo. Na HP, as ações ficam ao cargo do Ethics & Compliance Office com atuação global. De acordo com Baldessare, nos últimos anos a área investiu cerca de US$ 25 milhões para se adequar às diferentes legislações dos 70 países onde a companhia opera. No país, há uma estrutura regional composta por finanças, RH e jurídico.

A área lida com compliance regulatório, investigações, ética e anticorrupção, gerenciamento de informação e privacidade, e responsabilidade social e ambiental global.

Entre as ações práticas, há um treinamento anual de padrão de conduta de negócios para todas as áreas da companhia, abrangendo fornecedores e terceirizados. “Ética e compliance são como uma religião: você entra e já recebe o treinamento. Tem de ser cultural, porque até involuntariamente é possível cometer algo (errado)”, diz o CFO.

Um dos oito módulos trata justamente do gerenciamento do registro de informações, para garantir a contabilidade correta de todas as atividades da companhia.

O treinamento, com status de certificação, incentiva os profissionais a questionarem as condições de negociações, por exemplo. O programa propõe perguntas como “há razão para que o parceiro tenha determinada margem de lucro?”, “é necessário ter estrutura de buy-back no acordo?” ou “a estrutura de buy-back e a margem foram revisados pela equipe de finanças?”. “São ações preventivas”, comenta o CFO.

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