Para executivos, crescimento profissional é mais importante que remuneração

por andre_inohara — publicado 07/07/2011 14h53, última modificação 07/07/2011 14h53
São Paulo – Pesquisa da consultoria DBM aponta que principal causa de descontentamento é a falta de perspectivas profissionais; salários ficaram em último lugar.
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As empresas que pensam em reter seus executivos precisam oferecer mais do que uma boa remuneração. Os principais motivos pelos quais os profissionais mudariam de empresa são a falta de perspectiva de crescimento profissional e de futuro da companhia.

“Eles não olham só para a própria carreira, mas também se a empresa tem algum futuro”, segundo Cláudio Garcia Costa Carvalho, presidente para a América Latina da consultoria de recursos humanos DBM.

O fato de a remuneração não ser o motivo principal de saída dos executivos é importante, pois mostra que a discussão sobre o engajamento de profissionais nas empresas está girando em temas ligados ao desenvolvimento pessoal, observou Carvalho,  em entrevista após participar do comitê estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (07/07).

Uma pesquisa da DBM divulgada em maio com executivos de todos os níveis no Brasil revelou que esses profissionais estão priorizando o crescimento profissional em detrimento da remuneração. Esse quesito ficou em último lugar na sondagem, comentou Carvalho.

Rotatividade voluntária

Cerca de 45% dos executivos entrevistados pela consultoria afirmaram que não pretendem estar nas atuais companhias por mais que três anos. Esse turnover voluntário, que as organizações costumam não controlar, traz muitos custos associados com a ruptura da relação trabalhista, segundo Carvalho.

“A empresa tem de colocar outra pessoa no lugar e reengajar a equipe com a nova gestão, o que acaba gerando efeitos na eficiência corporativa”, assinalou.

De acordo com Carvalho, a intenção de permanência dos executivos continuará se reduzindo em função do aquecimento da demanda por mão de obra qualificada e do imediatismo dos profissionais mais novos.

“Esse é o padrão das novas gerações. Elas já trabalham com a perspectiva de que seu tempo de permanência será menor.”

Solução é o diálogo

A abertura de canais de diálogo é a melhor forma de  minimizar os efeitos do êxodo de executivos, uma vez que não é possível evitar a saída de líderes, destacou Carvalho.

“Em médio prazo, o caminho mais eficaz é construir relações com mais qualidade entre líderes e liderados. Uma conversa adequada pode detectar se um gestor tem a intenção ou não de continuar na empresa.”

Quando isso ocorre, tanto a empresa como o funcionário podem pensar na melhor forma de saída. Essa ação acaba por diminuir os custos de transição e facilitar a gestão do conhecimento. Nesses casos, o processo é benéfico para ambos.

 

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