Executivos financeiros são como um “GPS” que orienta a navegação da empresa, diz CFO da GM

publicado 25/10/2017 16h16, última modificação 25/10/2017 16h28
São Paulo – Segundo Roberto Martin, área é essencial para subsidiar decisões da organização

Para Roberto Martin, CFO da General Motors para o Mercosul, o trabalho do principal executivo de finanças (CFO, na sigla em inglês), de traduzir os objetivos da companhia em informações estratégicas e financeiras, é comparável a uma bússola.

“No momento de fixar objetivos de longo prazo, nossa função é conscientizar a empresa de que temos que operar como um GPS ou Waze (aplicativo de navegação no trânsito)”, disse, no CFO Fórum da Amcham – São Paulo na quinta-feira (19/10). Martin debateu o papel do CFO ao lado de Luis Carlos Cerresi, CFO Latam do Walmart.com. A moderação dos debates foi feita por Deborah Vieitas, CEO da Amcham.

“Quando você põe no Waze que vai ao cinema no shopping Morumbi e, por um problema de trânsito, acaba passando da entrada, ele não te envia para o shopping Interlagos. O GPS te faz voltar por um caminho alternativo”, acrescenta.

Cerresi, do Walmart.com, destaca a importância da área no planejamento estratégico. “O CFO tem o papel de conectar uma proposta definida de valor na empresa e criar uma agenda de prioridades de investimento e execuções. É um trabalho de conectar as duas pontas.”

Segundo Martin, as informações geradas pela área financeira são essenciais para que toda a companhia acompanhe e avalie constantemente o cumprimento de metas, e faça as correções necessárias. Além disso, dá subsídios para que a alta administração cumpra um papel de planejamento de longo prazo. “O curto prazo é nosso. Não preciso que o CEO esteja verificando como está indo a produção hoje, a gestão de fornecedores e o relacionamento com clientes”, detalha.

Os CFOs que se tornaram CEOs

Os presidentes da Audi (Johannes Roscheck), Cel-Lep Idiomas (Alexandre Velilla Garcia), e o presidente do conselheiro de administração da AES Eletropaulo, Britaldo Soares, participaram em um segundo momento do debate, colocando a perspectiva de cada um como um CEO que veio da área financeira.

Para Britaldo Soares, é muito importante deixar o novo CFO trabalhar e tentar não “botar a mão” na área financeira - o que é difícil às vezes para quem conhece a parte operacional do setor. “O maior desafio foi deixar o espaço para quem estava cuidando da cadeira, e isso é muito mais difícil do que aparece. Uma coisa é contribuir com a administração; outra é não interferir no dia a dia”, relata.

As mudanças que a tecnologia e inovação trazem para as finanças também foram comentadas pelos especialistas. Roscheck destacou o papel da tecnologia em mudar o papel do CFO e torná-lo mais estratégico do que antes, o que dá mais liberdade ao profissional. “Acho que função do CFO é muito maior que antes - ser o dono dos números e o único que sabe como a empresa vai financeiramente. Isso acabou, ele perdeu essa função. Vejo isso como a liberdade para o CFO tomar um papel muito mais estratégico do que teve até agora. ele pode desenvolver a estratégia para ser mais rápido com os concorrentes”, afirmou.

As mudanças tecnológicas podem inclusive afetar o modelo de negócios como um todo e não apenas as funções de cada um na empresa, como lembra Soares. No caso do setor de energia, por exemplo, pensar que um mercado de carros elétricos pode se consolidar no Brasil afeta diretamente as operações da AES. Nesse sentido, Soares coloca o papel do conselho de administração como um contribuinte para essa discussão de forma mais ampla, ajudando a construir o caminho e alocando os recursos nos lugares certos.

No caso do CEO, Garcia vê a necessidade de acompanhar o mercado de inovações para inserir essas disrupções. “Temos um mercado que está em completa ebulição. Um exemplo são os tradutores simultâneos, que conflitam com o ensino de idiomas, precisamos refletir como devemos posicionar a empresa hoje para enfrentar essas disrupções”, aponta.