Exemplos de ousadia e negociação mobilizam CEO Fórum de Brasília

publicado 26/09/2013 10h41, última modificação 26/09/2013 10h41
Brasília – Presidente do Conselho da Usiminas e dirigentes do Giraffas e da Precon falaram para 500 empresários
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Abrir uma rede de fast-food nascida em Brasília nos EUA; negociar com 2.500 peões armados na Amazônia; recuperar o valor de uma siderúrgica em crise. Foram alguns dos temas que despertaram atenção e emoções nos cerca de 500 dirigentes de empresas que compareceram  no CEO Fórum de Brasília na quarta-feira, 24/09.

A ousadia de levar sua rede de fast-food para a terra que inventou o fast-food é do jovem CEO Alexandre Guerra, o primeiro palestrante do CEO Fórum, que aconteceu no teatro do Royal Tulip de Brasília. A aventura na selva amazônica foi relatada por Marcelo Miranda, CEO da Precon Engenharia. O presidente do Conselho da Usiminas, Paulo Penido, fechou o encontro com um depoimento tocante de sua experiência na recuperação da empresa, que chegou a perder 85% de seu valor em bolsa.

Penido contou como foi levado de volta para a Usiminas. Depois de sua saída, a empresa passou por problemas de sucessão e começou a perder valor de mercado.  Ele lembrou que passou a freqüentar os churrascos dos gerentes da empresa e percorrer o chão de fábrica para ouvir os relatos sobre os problemas da empresa. E ouvir os funcionários foi uma das chaves para a recuperação da Usiminas.

Dinheiro vem como conseqüência

O atual presidente do Conselho de Administração da Usiminas trouxe para o debate um exemplo pessoal de como uma proposta financeira vantajosa acabou levando a uma opção pessoal não satisfatória. Um banco lhe ofereceu um cargo com salário bem mais alto do que tinha na posição que ocupava, mas Penido, afirma que não valeu a pena e em muitos casos uma oferta salarialmente mais vantajosa não compensa.

“O que importa é se o novo projeto lhe entusiasma, lhe motiva, o dinheiro virá como conseqüência”, afirma. O exemplo pessoal de Marcelo Miranda, atual CEO da construtora mineira Precon, confirma a afirmação de Penido. Miranda disse que largou uma bem sucedida carreira no mercado financeiro para mudar de vida e estudar empreendedorismo no Vale do Silício.

Sem  dinheiro, pegou um empréstimo para pagar a Universidade de Stanford,  na Califórnia e seu mudou com esposa e filhos para lá. Na volta, contou, teve 14 propostas de emprego e optou por uma que não era a que melhor remunerava: a de um pedreiro, que mal sabia escrever, mas que começava uma empresa de construção de casas pré-moldadas. Foi essa empresa que ganhou a concorrência para montar uma “cidade” em plena floresta amazônica e abrigar os 2500 operários de uma das usinas do Rio Madeira, em Rondônia.

Lá que, com apenas 30 anos, ele viveu sua experiência mais dramática de negociação. Com um megafone na mão, sozinho no alto de uma escavadeira, diante de mais de mil homens em greve e 12 carros com policiais fortemente armados.  “Se eu não tomasse a frente naquele momento ia acontecer uma carnificina”, pensou antes de sair do escritório com dois seguranças e partir para a frente da multidão.

Picanha popular nos EUA

Para o dirigente da rede Giraffas, Alexandre Guerra, o desafio foi se instalar na terra dos inventores do fast-food e concorrer com redes que faturam bilhões de dólares. Para ele, o retorno do maior mercado do planeta, compensaria o risco de se aventurar num terreno tão disputado.

E as Giraffas começaram a entrar em Miami na Flórida, em 2011, onde já tem sete lojas e ganhou prêmios dos americanos de design de lojas e de inovação. O segredo, segundo ele, foi levar um gostinho brasileiro para o segmento “fast casual”, que não concorre diretamente com os sanduíches mais rápidos e baratos. Um nicho que tem ocupantes de redes de inspiração mais étnica, como mexicana e oriental.

Alexandre conta que contou com a ajuda da rede Fogo de Chão, que ganhou o gosto americano para a nacionalíssima picanha. Aproveitando a onda, o Giraffas serve não só a picanha, mas também arroz e feijão, farofa. E  um sucesso surpreendente: o vinagrete.  As vendas da picanha em sua rede já respondem por 30% de todo o produto vendido pela rede.

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