Expansão do mercado de TI no Brasil é reforçada pelas empresas em processo de internacionalização

por daniela publicado 28/07/2011 10h43, última modificação 28/07/2011 10h43
Daniela Rocha
São Paulo - Carlos Guimarães, diretor de Vendas e Business Analytics & Technology da SAP, diz que a subsidiária do grupo no País se tornou a terceira no mundo antes do planejado.
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O crescimento do mercado de Tecnologia da Informação para a área corporativa está sendo impulsionado pelas companhias nacionais que estão em processo de internacionalização. É o que ressaltou Carlos Guimarães, diretor de Vendas e Business Analytics & Technology da SAP no País, empresa global especializada em soluções tecnológicas, com 170 mil clientes em 120 países.

Segundo Guimarães, no País, 65% do Produto Interno Bruto (PIB) são gerados por organizações que utilizam os sistemas da SAP. Em 2011, a SAP Brasil passou a ser a terceira subsidiária do grupo, antes do previsto, que era atingir essa meta somente em 2014. 

O executivo participou nesta quarta-feira (27/07) do Fórum Business Intelligence promovido pela Amcham-São Paulo. Em entrevista ao site da entidade, além de discorrer sobre as oportunidades do País, ele também falou sobre as tendências de (BI), que consiste na aplicação e gestão de ferramentas tecnológicas para coleta, organização, análise, compartilhamento e monitoramento de dados destinados às tomadas de decisão. Acompanhe:

Amcham: Quais as principais tendências que vêm impactando a forma de se fazerem negócios e Business Intelligence?
Carlos Guimarães:
Existem alguns aspectos que devem ser considerados. Primeiro, há uma explosão de informações dentro das empresas e, nesse caso, os repositórios das informações e as ferramentas para disponibilizá-las devem ser cada vez mais poderosos. Em segundo lugar, é preciso juntar informações da internet - das redes sociais e do Google, entre outras - junto com as estruturadas da empresa no mesmo sistema de BI. Além disso, onde os gestores e colaboradores precisam dessas informações onde estiverem, 24 horas por dia, para tomar decisões sobre algum desconto, uma venda adicional, uma ordem de produção maior ou menor ou fazer o recall de algum produto.

Amcham: Então, estamos falando então de tratar um grande volume de informações e disponibilizar seu acesso via dispositivos móveis...
Carlos Guimarães:
Exato. Uma coisa é tratar esse volume de informações crescente e outra é disponibilizar o acesso à informação por meio de dispositivos móveis para que se tomem decisões. Só que essas são questões de inovação que resolvem uma parte do problema porque a maioria das empresas ainda faz isso em com base em arquiteturas de soluções tradicionais, que não resolvem a tomada de decisão em tempo real, sendo que nesse aspecto é que está havendo uma grande evolução.

Amcham: Quais as vantagens de BI em tempo real?
Carlos Guimarães:
Hoje, grande parte das empresas tem de esperar longos períodos para consolidação de dados, antes que possa tomar decisões. Por exemplo, clientes passam no caixa do supermercado e a consolidação das vendas demora, sendo que só dois dias depois o executivo verá quanto comercializou em cada um dos supermercados na rede inteira. O que estamos falando de tempo real é que, quando o cliente entra no supermercado, é possível captar informações sobre ele no caixa ou na antena de celular dele através de Bluetooth (espécie de conexão sem fio). Portanto, a empresa consegue identificar no CRM (Customer Relationship Management) quem é ele e informá-lo através de SMS (mensagem instantânea no celular) sobre a disponibilidade de determinados produtos ou sobre a promoção de um vinho de que ele gosta. Isso é trabalhar em tempo real, cada vez mais as companhias percebem que não podem mais esperar as coisas acontecerem para verificarem o passado para tomar decisões que vão mudar o futuro.

 

Amcham: O sr. poderia dar outros exemplos? 
Carlos Guimarães:
Entre outros exemplos de aplicação do BI em tempo real, estão a reposição de estoques, as análises de produtividade e a gestão financeira. Trata-se de uma série de diferentes situações que temos visto com nossos clientes onde não é mais suficiente tratar volumes enormes de informação de forma demorada e colocá-las em qualquer lugar.

Amcham: Então, atualmente existem tecnologias disponsíveis para o BI em tempo real, mas qual é o trabalho que deve ser feito na parte organizacional?
Carlos Guimarães:
Essa questão de serviços de informação é ligada diretamente à área de negócios, não só à alta gestão. As empresas precisam começar a quantificar as necessidades de informações na área de negócios e não pelo departamento de Tecnologia da Informação (TI). Porém, muitas vezes, ainda vemos projetos tradicionais que começam por TI e essa área é que determina de onde as informações virão, como virão e, depois, cria-se um grupo de analistas. Entendo que não é preciso tratar informações por TI e, muito menos, criar uma área intermediária entre TI e o negócio para fazer a análise e entregá-las prontas. É fundamental simplificar esse processo e torná-lo tão ágil que os executivos sejam capazes de fazer as análises diretamente. Acho que é importante ter analistas nas empresas, mas a tomada de decisão tem de estar lá na frente. É preciso entregar a informação lá na frente, e não para uma camada intermediária, que ‘mastigará’ as informações antes de entregá-las.

Amcham: Quais são os setores que estão mais maduros em BI no Brasil?
Carlos Guimarães:
Dentro dos setores, existem empresas com diversos níveis de maturidade em BI. O que começamos a enxergar agora é essa questão da latência do tempo. Existem setores que estão trazendo esse componente do tempo real para as estruturas de BI. São os setores considerados mais ‘nervosos’ ou com dinâmicas mais acelerada, como varejo, financeiro e de utilities, empresas de serviços. São companhias que devem manter a satisfação dos clientes elevada e tomar ações rápidas para corrigir os processos. Conhecemos algumas organizações também na área de mineração que se beneficiam. Essa é uma tendência nova.

Amcham: Quais as oportunidades no Brasil para as empresas de TI como a SAP?
Carlos Guimarães:
A SAP Brasil se tornou a terceira maior subsidiária do mundo em um tempo muito inferior ao planejado. A expectativa era para 2014, mas neste ano já atingimos essa posição, isso por conta da elevada demanda de clientes brasileiros que estão se internacionalizando por meio de aquisições no exterior. Há muitas empresas nacionais comprando outras lá fora e crescendo, não mais de forma orgânica, o que representa a necessidade de sofisticarem cada vez mais seus processos. Esse é um grande indicador do desenvolvimento da nossa economia: o Brasil está crescendo de dentro para fora.

Amcham: Em relação ao mercado de TI no País, quais foram as mudanças dos anos 90 para cá ?
Carlos Guimarães:
O mercado da tecnologia da informação se desenvolveu a partir da década de 90 com base nas subsidiárias de grandes multinacionais instaladas no País, mas depois as empresas nacionais passaram a se beneficiar também desse processo. Claro que, inicialmente, as companhias globais de TI se instalaram aqui de olho nas empresas estrangeiras que vinham operar seus negócios. Recentemente, o crescimento do mercado é mais significativo nas empresas nacionais, especialmente as que estão se internacionalizando.

 

 

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