Expansão do Nordeste e investimentos em infraestrutura podem triplicar serviços logísticos terceirizados no Brasil

por andre_inohara — publicado 18/08/2011 16h21, última modificação 18/08/2011 16h21
São Paulo – Hoje, 20% são realizados por meio de outsourcing, fatia que pode aumentar para 60% nos próximos anos, indica professor da FGV.
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No Brasil, a crescente necessidade das organizações de movimentar volumes maiores a custos menores está impulsionando as atividades de logística. Puxado pelo crescimento da região Nordeste e pelos programas públicos de incentivo ao desenvolvimento de infraestrutura, o mercado de logística terceirizada tem muito espaço para se expandir nos próximos anos.

“De tudo o que se faz em logística no País, alguns autores entendem que dá para terceirizar 60% desse total junto aos operadores logísticos”, disse Manoel Reis, professor da FGV-EAESP e coordenador da GVcelog (Centro de Excelência em Logística e Supply Chain da FGV), em participação no comitê de Logística da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (18/08).

O volume de serviços logísticos terceirizados atualmente está na faixa de 20% a 25%, segundo Reis.

Nordeste

A atividade logística, que inclui formas de abastecimento e distribuição de mercadorias, está sendo requisitada fortemente no Nordeste, região que tem se desenvolvido mais que o País como um todo nos últimos anos.

A tendência, então, é pedir auxílio a quem tem essa competência, assinala Reis. “As empresas estão indo para essas regiões, e não estão com capacidade de atender de imediato a toda a demanda. Elas estão em processo dinâmico de produção e não têm como melhorar seu sistema logístico."

Mundo

Em todo o mundo, a tendência de terceirização dos serviços logísticos é cada vez maior. Reis aponta que as causas mais citadas para a delegação de tarefas são o aumento da complexidade da gestão da cadeia e a exigência maior de investimentos tanto em tecnologia como infraestrutura de armazenamento e transporte.

“A terceirização é um movimento cada vez mais constante, mas a empresa que escolhe esse caminho tem de reunir conhecimento e competência para gerir esse tipo de operação”, ressalta.

PNLT

O Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), de 2007, também é um indutor de desenvolvimento, aponta Reis. 

Até 2023, a expectativa do governo é ampliar a participação dos modais não rodoviários, como ferroviário, aquaviário, dutoviário e aéreo no transporte de cargas, para aliviar o sistema rodoviário.

Se as metas forem atingidas, a participação do modal rodoviário, sobretudo no transporte de cargas, cairia de 58% para 33%.

Para Reis, o desenvolvimento do modal ferroviário é o que trará maior impacto no Nordeste, pois possibilitará um fluxo maior de transporte de cargas do interior do País aos portos da região.

O professor citou projetos como a Transnordestina, que ligará o Centro-Oeste ao porto de Suape (PE), e a Norte Sul, que cruza o Centro-Oeste ao Nordeste. “Quando se integrarem todas essas ferrovias, haverá mobilidade maior para cargas”, comenta.

Oportunidades em logística

Os serviços logísticos mais terceirizados atualmente são os de transportes, de acordo com o professor. Os setores de varejo são os que mais delegam essas atividades, sendo essas fatias de 70% nos ramos farmacêutico, de higiene e cosméticos, 65% no eletroeletrônico e 63% em têxtil, couro e vestuário.

Com maiores investimentos em infraestrutura de transportes, os ganhos de escala aumentarão. Eles virão através da maior racionalização de rotas e uso de ativos, conforme o professor da FGV.

As empresas pretendem aperfeiçoar sobretudo gestão de estoques, atendimento a clientes e previsão de demanda.

Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Supply Chain (INBRASC), de 2009, citada por Reis, 80% das empresas pretendem realizar essas melhorias internamente, enquanto 44% revelaram a intenção de contratar consultorias externas.

Penske trabalha com parcerias

A Penske Logística, divisão brasileira de armazenagem e distribuição da Penske Corporation, atua por meio de parcerias. “Temos várias parcerias, tanto para formação de mão de obra, como construção de armazéns”, disse Paulo Augusto Sarti, diretor-presidente da companhia.

Sarti acredita que a aquisição de ativos como armazéns e caminhões não são, para a Penske, a melhor forma de criar rentabilidade.

Para oferecer estrutura física e de transporte, a Penske trabalha com parceiros, mas avalia que o diferencial é oferecer serviços de gestão de estoque. “Não se trata apenas de alugar armazéns, mas ter sistemas eficientes de informação de gestão”, comenta.

“As empresas estão tendo de aumentar rapidamente sua produção para atender à demanda, e buscam parcerias com operadores logísticos para agilizar a entrega de mercadorias”, acrescenta.

 

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