Exploração de petróleo no Brasil abre oportunidades para setores de turismo e viagens corporativas

por marcel_gugoni — publicado 27/09/2012 14h54, última modificação 27/09/2012 14h54
São Paulo – Mobilidade da mão de obra estrangeira e custos dos transportes são aspectos do segmento de óleo e gás que afetam o setor de viagens.

A descoberta de poços de petróleo na camada do pré-sal da costa brasileira está mexendo com outro setor, que tem uma gama de oportunidades na esteira. A área de turismo e mobilidade corporativa pode ser uma das grandes beneficiadas com o crescimento da cadeia de óleo e gás no Brasil, conforme debateram especialistas em energia, gestores de redes hoteleiras e outros representantes tanto do segmento de óleo como do de viagens, durante o comitê aberto de Viagens e Mobilidade Corporativa da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (26/09).

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Números da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram que, até 2020, a indústria de petróleo representará 20% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.

Ana Cláudia Manhães, gerente de Recursos Humanos da GE Oil & Gas, braço de petróleo da gigante americana, relata que a empresa vem expandindo sua atuação nesse segmento de olho no potencial que oferece, atuando em atividades de exploração no Brasil e fornecendo equipamentos e tecnologia.

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“Para a GE, esse setor é novo, mas o crescimento é expressivo”, afirmou ela. “O faturamento passou de US$ 1 bilhão 15 anos atrás para US$ 22 bilhões ao ano.”

Mão de obra

Entre as grandes oportunidades para o segmento está a importação de mão de obra. A Petrobras estimou, em 2011, que precisaria de 207 mil profissionais em diversas áreas de atuação para ocupar vagas em projetos de desenvolvimento da Petrobrás até 2013.

Para Ricardo Ferreira, vice-presidente executivo da Alatur e também presidente do comitê de Viagens da Amcham-São Paulo, o maior debate é como o negócio do pré-sal vai interferir na cadeia de mobilidade. “Há muita gente procurando emprego e tem muita posição em aberto.”

A fim de preencher esses postos, empresas como a GE começam a trazer profissionais de fora do País – e mandar brasileiros para se qualificarem no exterior. A cadeia de mobilidade se beneficia no bojo desse movimento, ao fornecer hospedagem e transporte a esses profissionais.

Aparecida Ferreira, responsável pela área de profissionais expatriados da unidade brasileira da GE, afirma que em torno de cem trabalhadores já fizeram esse intercâmbio. Pouco mais da metade é de estrangeiros trazidos ao Brasil. “Esse setor requer muita mão de obra externa”, reforça.

Custo da viagem

Outro ponto apresentado durante o comitê foi o do custo dos transportes, principalmente por conta dos combustíveis. A interação entre o setor de óleo e o de viagens é múltipla a partir dessa abordagem – preços maiores de petróleo afetam as passagens, que por sua vez elevam o custo de transporte de profissionais, o que pode até refletir na produtividade da empresa e em suas projeções de investimentos.

Conforme Sverre Gade Husby, vice-presidente da HRG Nordic, empresa especializada em mobilidade corporativa, os custos da aviação não param de crescer, dado o aumento dos preços dos combustíveis. “As companhias aéreas e a Iata [Associação Internacional de Transportes Aéreos] dizem que as tarifas vêm crescendo a taxas entre 3% e 5% ao ano”, afirmou. “Mas a conta é maior do que isso.”

Uma pesquisa da HRG Nordic considerou os preços de todos os assentos de uma aeronave média e mostrou que os preços vêm aumentando na casa dos 13% ao ano. “Nas classes econômicas, os preços sobem menos, e muito do custo vai passando para a executiva e a primeira classe”, reforçou.

Husby revela ainda que os países mais ricos estão sofrendo mais, perdendo competitividade devido aos custos. “Hoje, as passagens com os melhores custos estão no Catar e em Dubai”, afirma. Essas são regiões ricas em petróleo.

Gás natural

Não apenas o preço dos voos entrou na pauta do comitê: o custo do gás também afeta a mobilidade, principalmente dentro do País. Rodrigo Fernando Bolognini, consultor da Andrade & Canellas Energia, mostra que os reajustes tarifários do gás chegaram a 29% entre maio de 2011 e maio deste ano. “A variação cambial e a alta do petróleo são as maiores causas do aumento”, afirma.

Os dados da consultoria apontam para uma expansão da produção de gás natural a partir da exploração do pré-sal. “Hoje, o gás tem 8% de participação na matriz brasileira”, explica. O Brasil tem seu maior consumo energético na hidroeletricidade.

Mas, para os especialistas, basta lembrar que o gás é bastante consumido pela rede hoteleira – e custos maiores afetam os preços das estadias de alguma forma.

Ferreira resume que falar de petróleo e gás é um “grande negócio para todas as empresas que têm interesse em mobilidade corporativa como um todo”. “Para se ter uma ideia, da Noruega, um país que vive do petróleo, há 100 empresas interessadas em se instalar no Rio de Janeiro. A exploração do petróleo requer uma grande cadeia produtiva e uma rede de apoio maior ainda.”

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