Exportações e produtividade são a saída para as empresas enfrentarem a crise, diz economista

publicado 12/04/2016 15h39, última modificação 12/04/2016 15h39
São Paulo – Para Roberto Padovani, do Banco Votorantim, estratégia de atuação independe da crise política
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O economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani, defende que a estratégia para as empresas enfrentarem a crise política e econômica é exportar e ganhar eficiência. “Gestão de custo, produtividade e mercado externo”, resume, no comitê estratégico de Diretores Comerciais da Amcham – São Paulo, realizado em 5/4.

“Com Dilma ficando ou saindo, a única estratégia de sobrevivência é focar no setor exportador, porque o câmbio vai continuar favorável e o consumo interno vai demorar a se recuperar. E seja eficiente. A tecnologia tem que estar redonda nas empresas”, argumenta o economista.

A crise pegou as famílias e as empresas com alto nível de endividamento. “É a primeira vez nesse período todo que temos uma recessão acompanhada por crédito, que pegou as empresas e famílias endividadas. O cara que está perdendo emprego hoje tem dívida para pagar”, segundo Padovani.

A situação não é melhor nas empresas, especialmente nas pequenas e médias. “O ponto é que elas não têm mais banco (para tomar empréstimos) há dois anos. Como os bancos não estão mais arrolando (dívidas), imagine sua empresa não tendo mais geração de caixa, com custos subindo e não tendo geração de caixa pagar dívidas”, detalha.

Para o economista, se a crise política for solucionada este ano, a recuperação ocorrerá em 2018. “Serão três anos para retomar o mercado consumidor.” Isso porque o Brasil vive uma crise de confiança em função da incapacidade do governo de estabilizar seus gastos. “A confiança na economia depende de previsibilidade. Que, por sua vez, depende do controle da dívida e inflação”, comenta.

Assim que essas variáveis forem equacionadas, os agentes econômicos voltarão a confiar na economia e o país crescerá de novo. As empresas que se prepararem agora aproveitando oportunidades de consolidação levarão vantagem, opina Padovani. “Em médio prazo o país vai voltar a crescer com base boa, como sempre acontece. O momento de consolidar é agora, e não daqui a dois ou três anos.”

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