Famílias tendem a cuidar cada vez menos dos idosos

por andre_inohara — publicado 29/07/2011 11h30, última modificação 29/07/2011 11h30
São Paulo – Envelhecimento populacional acentuado nas próximas décadas e transformação do modelo familiar acendem discussão sobre a responsabilidade de cuidados médicos aos idosos. Profissionais de saúde precisarão se preparar melhor para atender esse público.
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O Brasil não está se preparando para o aumento da população idosa, uma tendência que se acentuará nas próximas décadas. Com a queda da taxa de natalidade e o aumento da qualidade de vida, o número de idosos chegará a 20 milhões até 2030, o dobro da população atual.

A iminência de envelhecimento populacional acarretará mudanças na sociedade como um todo, especialmente na área da saúde e das relações familiares, disse a pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Ana Amélia lembra que o núcleo familiar, que atualmente se responsabiliza pelos idosos, está se transformando. “As pessoas estão se casando, descasando ou optando pela solteirice com frequência maior”, observou ela, que participou do comitê de Saúde da Amcham-São Paulo, ocorrido nesta quarta-feira (27/06).

As mulheres, que dentro da família eram os membros que mais cuidavam desse público, também terão menos tempo para se dedicar a essa atividade, acrescentou a pesquisadora.

“Ela está participando ativamente do mercado de trabalho e também está tendo menos filhos. Isso acarretará uma diminuição da oferta de pessoas que cuidam dos idosos, quando a demanda por esses cuidados só tende a aumentar”, assinalou.

Os cuidados com a saúde têm de começar desde o nascimento, defende a pesquisadora. Antes do envelhecimento, é preciso enfatizar os tratamentos preventivos. “Tem de existir atenção a toda a parte de promoção de exercícios físicos e dieta alimentar”, exemplificou.

“Para envelhecer bem é preciso ter cultivado uma boa saúde. E depois, quando chegar a idade avançada, é preciso que haja atendimento básico e toda a parte de cuidados médicos nos quais o Brasil não evoluiu.”

O Brasil terá um perfil populacional parecido com o Japão atual, diz Ana Amélia, com diminuição da população total e superenvelhecimento.

Além de lidar com o preconceito em relação aos idosos, a sociedade terá que discutir novas relações de meio ambiente, mercado de trabalho, saúde, previdência e habitação, disse. “As moradias para idosos terão que ter portas mais largas e piso antiderrapante”, exemplificou.

Profissionais de saúde precisarão se preparar para atender aos idosos como um todo

Atender a uma população maior de idosos exigirá adaptação não só de médicos geriatras, mas de todas as especializações, disse José Jair de Arruda, diretor do Hospital São Luiz. “Quando falamos de especialidade médica, não é só o geriatra que atenderá e dará acompanhamento ao idoso”, comentou.

“O cirurgião geral e o cardiologista também necessitarão saber cuidar do idoso, além de enfermeiro, nutricionista e fonoaudiologista. É um preparo que tem de ser multidisciplinar e interdisciplinar”, assinalou.

 

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