Faturamento do e-commerce chegará a R$ 15 bilhões em 2010 e tende a crescer em torno de 35% em 2011

por giovanna publicado 10/11/2010 18h02, última modificação 10/11/2010 18h02
São Paulo – Cálculos são da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico e podem ser ampliados com aumento do acesso a banda larga e da oferta de crédito.
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Marcado por taxas de crescimento elevadas no Brasil ao longo dos últimos anos, o comércio eletrônico (e-commerce) fechará 2010 movimentando em torno de R$ 15 bilhões, quase 40% acima dos R$ 10,8 bilhões registrados em 2009. Em 2011, a tendência de expansão deve se manter. Para a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), a evolução no próximo ano ficará na casa dos 35%, mas pode ser ainda mais acelerada, dependendo de fatores como aumento do acesso à banda larga, da bancarização online e da oferta de crédito, assim como de eventuais medidas governamentais com potencial para estimular maiores compras – como se viu recentemente com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

“O e-commerce cresce em ritmo acelerado no País, ganhando cada vez mais importância entre os brasileiros que hoje representam mais de 23 milhões de compradores online. Para que a expansão continue a médio e longo prazos, é importante investir mais não só na quantidade e qualidade dos acessos à banda larga e na disponibilização de meios de pagamento digitais – em especial para as classes C, D e E  –, como também em estudos que identifiquem e expliquem a resistência de muitos internautas ao comércio eletrônico, uma questão cultural ainda a ser vencida”, destacou Gerson Rolim, diretor executivo da camara-e.net, que falou ao comitê de Marketing da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (10/11).

Segundo Rolim, a melhora da segurança online, a expansão de indústrias como a de viagens e turismo, os investimentos de varejistas no meio eletrônico e avanços em termos de logística têm impulsionado o e-commerce no Brasil. Contribuem também a comodidade da compra, os preços normalmente mais baixos que no mercado offline e a maior possibilidade de parcelamento (80% das vendas de e-commerce são efetuadas com cartões de crédito e débito), benefícios que atraem os consumidores.

Desde o início da década, o faturamento nacional de comércio eletrônico sobe significativamente no País. Passou de R$ 549 milhões em 2001, data do primeiro registro, para os R$ 10,8 bilhões de 2009. No período, os chamados e-consumidores saltaram de pouco mais de um milhão de pessoas para 17,2 milhões.

Quando comparado aos vizinhos da América Latina, o Brasil aparece em posição privilegiada. Responde por 60,8% do consumo online total na região, superando México (12%) e Chile (5%).

Case Mercado Livre

O Mercado Livre, portal de compra e venda de produtos e serviços presente em 13 países e desde 1999 no Brasil, é exemplo do progresso das transações online no País. Somente no terceiro trimestre de 2010, o negócio movimentou um total de US$ 881 milhões (aproximadamente R$ 1,5 bilhão), sendo o Brasil o país responsável pela maior parte do montante, informou Helisson Lemos, diretor-geral do Mercado Livre. O País representa entre 50% e 60% das métricas finais e operacionais do grupo.

“O Mercado Livre é um market place onde as pessoas negociam entre si, de forma democrática, e que independe de classe, atividade ou tipo de produto. Nossa experiência positiva demonstra que o comércio eletrônico é extremamente promissor no Brasil. Por isso, estamos atentos às oportunidades que esse cenário nos oferece”, destacou Lemos.

Compras coletivas

Outro ramo que vem ganhando destaque na economia digital brasileira são as compras coletivas, que, pela dinâmica diferenciada – negociação de descontos a partir de 50% junto a empresas para ofertas de produtos e serviços direcionadas a usuários online previamente cadastrados –, vêm atraindo cada vez mais adeptos e despertando interesse de empreendedores do mundo todo, indicaram Daniel Funis, diretor de Marketing e Relacionamento com Parceiros do Groupon, e Alexandre Abdala, sócio-fundador do Faro Urbano, ambas de companhias focadas em compras coletivas.

O Groupon atua em 29 países e está no Brasil desde junho, com planos de expandir a atuação das 22 cidades brasileiras atuais (dois milhões de usuários) para 40 até o fim do ano. “As compras coletivas são a melhor forma de incluir o pequeno varejo no e-commerce. Nunca houve forma tão simples, fácil e sem riscos de dar visibilidades a esses empreendimentos diante do grande público, com tão baixo custo. Há ganhos em termos de valor de marca e ampliação da carteira de clientes”, disse Funis.

O Faro Urbano, por sua vez, com capital 100% nacional e tendo iniciado suas operações há dois meses, já conta com cerca de 400 mil associados. “O foco do negócio está na oferta de diferentes experiências aos clientes, baseadas em seus interesses, e não somente nas tendências do mercado de compras coletivas. Também há um cuidado especial na escolha dos fornecedores, onde verificamos sempre os melhores locais, produtos e serviços e a viabilidade das parcerias”, explicou Abdala.

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