Fintechs brasileiras vão receber mais de 450 milhões de reais em investimentos em 2016

publicado 19/09/2016 09h37, última modificação 19/09/2016 09h37
São Paulo - José Prado, da Conexão Fintech, destaca o potencial inovador das startups financeiras no mercado
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A busca por serviços financeiros fora dos bancos está por trás do sucesso das fintechs, as startups de finanças, que no Brasil devem receber perto de meio bilhão de reais este ano em investimentos, afirma José Prado, sócio da Conexão Fintech. “O total de investimentos esperados era de 450 milhões de reais. Mas estamos revisando esse número, porque ele já foi alcançado”, disse, na reunião conjunta dos Comitês de Tecnologia da Informação e Finanças da Amcham - São Paulo, na terça-feira (13/9).

Luiz Ruivo, sócio da PwC, Marc Lahoud, diretor executivo da QueroQuitar, e Guilherme Stoco, head de estratégia e inovação do Banco Original, também participaram da reunião. 

Prado está mapeando a evolução das fintechs no Brasil e calcula que há aproximadamente 220 delas oferecendo facilidades no acesso a serviços bancários, como pagamento de contas, aplicações financeiras e crédito.Entre elas, menciona o NuBank, GuiaBolso e PayPal.

Em agosto, no CFO Fórum da Amcham - São Paulo, Guilherme Horn, diretor de inovação da Accenture, afirmou que as fintechs receberam 22 bilhões de dólares de investimentos no mundo, a maior parte nos Estados Unidos. Veja a notícia aqui.

Conversando com fintechs, Prado constata que muitas acreditam em forte crescimento e, para isso, precisam de sócios. “As expectativas são altas. 50% delas acreditam que vão faturar mais de 1 milhão de reais em 2016, 30% pensam em se internacionalizar e 77% estão atrás de parcerias”, detalha. Isso inclui as instituições financeiras. “As startups querem os bancos como parceiros, porque não vão crescer sem eles”, acrescenta o especialista.

As fintechs surgiram como reflexo da demanda por serviços bancários personalizados das gerações mais novas, de acordo com Ruivo. “Os millenials - consumidores nascidos depois da década de 1990 - não querem passar muito tempo abrindo cadastros bancários e esperam ter mais controle sobre esse relacionamento. Em alguns anos, eles aumentarão a participação no mercado.” De acordo com Prado, 60% desses consumidores não acreditam que os produtos bancários são feitos para eles e 33% afirmam que não precisarão de um banco nos próximos cinco anos.

Oportunidades geradas pela tecnologia

Lahoud disse que o apoio dos bancos foi importante para começar o QueroQuitar, plataforma online de negociação de dívidas. A fintech foi uma das parceiras do inovaBRA, programa de inovação aberta do Bradesco que incentiva o desenvolvimento de negócios com startups. A plataforma reúne credores e devedores para negociar sem intermédio físico. “Ter cobradores é invasivo, por isso pensamos em um ambiente amigável onde o devedor toma a iniciativa de negociar de acordo com suas condições”, explica.

De cada cem usuários que buscam a plataforma, 50 fazem propostas e 31 conseguem acordos. “43% dos que fizeram propostas voltam para negociar de novo”, segundo Lahoud.

Para Stoco, as fintechs não vão substituir os bancos. Mas mostram que a exclusividade dos serviços bancários das instituições financeiras está acabando. Como exemplo, cita o faturamento da Starbucks e da rede social chinesa WeChat com produtos bancários.

A Starbucks oferece um cartão pré-pago aos clientes para a compra de produtos que movimenta 2,5 bilhões de dólares por trimestre. “Estamos falando de adiantamento de recebíveis em que o cliente leva três meses para usar e ainda fica um resíduo financeiro depois desse tempo. O Starbucks não vai virar banco, mas pode ameaçar essa linha de negócios.”

Por sua vez, o WeChat, app líder de mensagens da China, resolveu vender avatares de comunicação por dez centavos de dólar para milhões de usuários e fez parceria com desenvolvedores de jogos para comercializar facilidades e novas fases por meio de um cartão de crédito próprio. “Com isso, captaram 16 bilhões de dólares neste ano”, destaca.

Os bancos não deveriam se preocupar tanto com a concorrência de outros bancos, mas com outras indústrias, de acordo com Stoco. "O Google, por exemplo, investiu em 37 fintechs nos últimos anos. Vem coisa por aí.”

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