Futuro da televisão está na integração com a internet, diz executivo do portal Terra

por marcel_gugoni — publicado 23/01/2013 15h18, última modificação 23/01/2013 15h18
Porto Alegre – Jessé Rodrigues afirma que transmissões online ganham apelo na web e telespectador passa a ser mais interativo.
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A soma de televisão com a internet já é uma realidade, como se vê pelo surgimento das TVs inteligentes, que permitem o acesso a sites de vídeos pelo controle remoto com a mesma facilidade com que se muda de canal. E, como a interatividade tem se tornado demanda crescente dos telespectadores, é possível dizer que o futuro da televisão está na rede, como analisa Jessé Rodrigues, executivo de Contas do portal Terra para a região Sul. 

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Para ele, as empresas devem aprender a explorar as novas tecnologias e aspectos como convergência de mídias e portabilidade para falar com o consumidor em todas as telas que hoje tem diante de si – computador, televisão e celular. “A integração de um meio com o outro, impulsionada pela mobilidade, oferece oportunidades superiores ao seu uso isolado na aproximação com o consumidor.” 

Estimativas apresentadas por Rodrigues apontam que, até 2016, o número de usuários de internet passe de 80 milhões (dados de 2011) para mais de 120 milhões e o tráfego na web cresça oito vezes. “Imagine que haverá oito vezes mais visitas nos sites, oito vezes mais visualizações nos vídeos”, destacou, ao participar do comitê aberto de Marketing da Amcham-Porto Alegre, que debateu a integração das mídias digitais, na última terça-feira (22/01). 

Uma pesquisa feita pelo Ibope em 2011 mostrou que 92% dos internautas adultos, entre 20 e 34 anos, navegam na internet enquanto assistem à televisão. “Imagine um grande smartphone. Com certeza ela terá crescente aceitação entre os consumidores”, aposta. Segundo ele, há a previsão de que 25 milhões de televisores inteligentes estejam nos lares brasileiros daqui a três anos, de acordo com o Ibope. 

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E a interatividade dá o tom: comentários de usuários durante programas e transmissões tradicionais e pela web são tendências. Conforme Rodrigues, 80% das pessoas pesquisadas mudam de canal em função de informações lidas na internet. “A receptividade do público às propagandas em mídias digitais supera quase todos os outros meios, enquanto a atenção dos espectadores [aos meios tradicionais] está mais fragmentada”, analisa. 

Televisão na web 

Enquanto os televisores não acessavam a internet, o Terra já levava a TV para o computador. Rodrigues conta que a primeira grande transmissão do site foi feita em 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim. Os mais variados esportes eram todos divulgados ao vivo e podiam ser vistos simultaneamente. 

Shows e outros eventos esportivos entraram no cardápio em seguida. “Há webseries também que posteriormente serão transmitidas por um canal de televisão, além de programas específicos para a rede”, exemplifica. O portal abriu uma verdadeira central de televisão com o TerraTV. 

Outro ponto salientado pelo executivo foi a cobertura da Olimpíada de Londres, em 2012, que superou as expectativas de audiência, com vídeos, transmissões ao vivo, aplicativos para conhecer o perfil dos atletas e afins, com ampla aceitação de usuários em diversos países, em especial na América Latina. 

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A aposta visava a integrar os tablets aos meios já disponíveis – agregando mais uma tela ao dia a dia do internauta/telespectador. De acordo com Rodrigues, 17 países receberam as transmissões simultâneas. “Dos 122 milhões de vídeos vistos ao vivo e on demand em todas as plataformas, 10 milhões foram em dispositivos móveis, sem falar nos 275 mil downloads de aplicativos baixados em duas semanas”, ilustra. 

Tendências 

No Brasil, já há mais celulares do que habitantes (132 celulares para cada 100 pessoas). Em cinco anos, estima-se que todas as classes sociais terão acesso aos smartphones. De acordo com a fabricante Sony, o Brasil já é o quarto maior mercado de smart TVs. 

Rodrigues diz que, até a metade desta década, o aumento do tempo gasto com meios digitais e a expansão do seu uso em todas as etapas do processo de compra vão transformar a web na principal fonte para decisão de compra de bens e serviços no País. 

E como fica a publicidade neste novo mundo? O executivo avalia que o alcance é maior quando os meios estão integrados. Em 2011, por exemplo, a televisão concentrou 59 % do bolo publicitário, com jornal e internet praticamente empatados no segundo lugar de investimentos em propaganda (com 11% de share cada). 

A internet foi uma das mídias que mais cresceram: 19% em relação aos gastos das empresas com propaganda no ano anterior. Em 2012, o crescimento dos gastos de publicidade na web deve superar a casa dos 13%, apontam dados da consultoria IAB Brasil. 

Rodrigues diz que explorar a web, principalmente com conteúdos audiovisuais, pode ser alternativa para as empresas alcançarem cada vez mais clientes. “Sua empresa já tem conteúdo em vídeo para responder às perguntas das pessoas no Youtube? Quanto conteúdo você pode oferecer falando dos seus produtos e serviços gratuitamente?”, questiona. 

A mensagem que fica é de que o consumo de televisão e de internet ao mesmo tempo mostra que não há abandono de um meio em prejuízo do outro. “O business as usual no planejamento de mídia e comunicação é insuficiente para dar conta dessas transformações, exigindo uma nova combinação de dados, metodologias e avaliações para auxiliar o processo criativo”, conclui.

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