Geração millenium quer um emprego com propósito e não apenas uma ocupação, diz Claudia Cunha

publicado 24/11/2016 13h05, última modificação 24/11/2016 13h05
São Paulo - Para reter os novos talentos as empresas estão adotando estruturas com menos hierarquias, mas o processo de mudança é longo
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“Uma empresa atualmente precisa fazer parte do sonho de vida do jovem” afirma Claudia Cunha, Diretora da Consultoria Meta Executivos, durante o Comitê de Diretores Comerciais que aconteceu na quarta-feira, 23/11, na sede da Amcham em São Paulo.

Ela explica que a geração millenium, composta pelos jovens nascidos após os anos 1980, está iniciando a carreira profissional com a concepção de que o trabalho não pode ser apenas uma ocupação, mas, pelo contrário, precisa ter um propósito maior, agregando valor e gerando resultados significativos.

Quando esses novos talentos não encontram nas organizações as suas expectativas, eles costumam entrar um processo de mudança constante de trabalho, que dura de um a dois anos por local.  “O jovem não tem paciência para esperar. A empresa precisar estar preparada para mostrar os caminhos que ele deve percorrer”, comenta Claudia.

Nesse cenário de mudança em relação ao pensamento das gerações anteriores, pautadas pela lógica de crescimento e estabilidade, transformar a organização pode ser uma saída eficiente e necessária. A Deloitte, por exemplo, lançou uma lista com as 10 tendências para um novo modelo de gestão, mais forcada na necessidade de redesenhar as estruturas da organização do que somente realizar medidas de engajamento para os funcionários.

Cintia Bortotto, Diretora de RH da Stefanini Latam, conta que está liderando um processo de renovação de valores na multinacional do segmento de TI, que agora também está mais direcionada para a horizontalidade – estrutura menos hierarquizada - das relações entre os colaboradores. “O organizational design deve mudar. Os modelos de rede e compartilhamento são os melhores”, aconselha. No entanto, ela reconhece que a remuneração nesse novo sistema ainda é um desafio.

Fazer a “virada”, de acordo com a diretora da RH da Stefanini, não é fácil e precisa de tempo porque as pessoas não mudam com facilidade, no entanto, os resultados para todos os profissionais podem ser positivos. “Eu peço para o meu gestor ser ao mesmo tempo um controlador de jornada e a pessoa que exige que o call center trabalhe no horário que tem que funcionar. Por outro lado, também peço que seja uma pessoa que engaje, que seja global que não siga o modelo de “empresa e trabalho”. A organização que não estiver nesse caminho, no futuro, ficará distante”, finaliza.

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