Geração Y força ruptura nos modelos de gestão de pessoas nas companhias

por daniela publicado 02/06/2011 14h49, última modificação 02/06/2011 14h49
São Paulo - Soluções sedimentadas por muitos anos não agradam e o turn over cresce, afirma consultor Vicente Picarelli.
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A geração Y (nascidos na década de 80) está levando a uma forte ruptura nos modelos de gestão de pessoas nas empresas. Fórmulas sedimentadas por muitos anos não agradam esses jovens e a rotatividade de profissionais vem aumentando, forçando mudanças rápidas nas organizações. A avaliação é de Vicente Picarelli, consultor especializado em capital humano.

“Essa geração tem desafiado o status quo de como empresas funcionam. Muitas organizações consideram que esses jovens não têm fidelidade, mas mudam de emprego porque conseguem detectar rapidamente as diferenças entre a retórica e a realidade. Eles não toleram jogos corporativos e buscam seu próprio ideal. Pela primeira vez, aparece muito fortemente a questão do propósito de vida das pessoas nas corporações. A geração Y é rápida na troca informações e não se adapta às estruturas ainda presentes”, explicou Picarelli após participar nesta quinta-feira (02/06) do comitê estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo.

No Brasil, conforme o especialista, as transformações organizacionais são mais demandadas porque, além da postura da geração Y, a economia está aquecida, o que gera uma disputa por mão de obra qualificada.

Diante desse cenário, a solução é a flexibilidade. “É preciso pensar fora da caixa”, disse o consultor. Ele elencou algumas medidas que contribuem para a retenção da geração Y:

• Missões e valores: As missões e os valores das empresas devem ser bem elaborados, fidedignos e divulgados adequadamente, assim como todas as ações corporativas de sustentabilidade. A geração Y está atenta a se a atuação das companhias é benéfica às comunidades em que atuam.
• Desenvolvimento rápido: Os jovens estão abertos para serem orientados e não competem por liderança, mas querem se desenvolver em uma velocidade à qual as empresas não estão acostumadas. Eles querem treinamentos, acesso a cursos, participação em viagens de negócios e experiências no exterior.
• Mobilidade: Os jovens não gostam de ficar ‘presos’ nos escritórios. Alternativas como viagens, experiências em outros departamentos e alguns dias de home office são favoráveis.
• Diálogo: A geração conectada quer contato não somente com o chefe ou supervisor direto, mas com os líderes de outros departamentos e até o presidente da empresa. Os gestores devem manter comunicação constante.
• Espaço ocupacional: Os jovens não querem ficar restritos às descrições dos cargos e procuram ter atuação ampliada dentro da empresa.
• Remuneração motivadora: As organizações devem repensar os formatos atuais para alavancar as contribuições das pessoas.

Inovação

Depois de passarem por ciclos de melhoria da qualidade e ganho de eficiência, e diante de um mundo que se transforma mais rapidamente com as novas tecnologias, as corporações têm explorado estratégias de diferenciação. Para Vicente Picarelli, a geração Y dá grande contribuição nesse caminho. “Ela está levando as empresas a fazerem coisas novas.”

Picarelli diz ainda que, quando o assunto é inovação, o departamento de Recursos Humanos deve ter o papel de reforçar esse conceito na cultura das companhias, rompendo alguns paradigmas e articulando as capacidades existentes.

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