Gestão das organizações deve atender aos anseios dos millennials, segundo consultor da Deloitte

publicado 19/09/2016 13h29, última modificação 19/09/2016 13h29
São Paulo – Danone e Google acreditam que engajar jovens ajuda a atrair e retê-los nas companhias
gestao-pic01.jpg-7148.html

Uma pesquisa feita pela Deloitte com 7700 jovens em mais de 29 países detectou que boa parte deles (44%) pretendia deixar suas organizações até 2018. Para Luiz Fernando Barosa, Diretor de Consultoria Empresarial e Capital Humano da Deloitte, as empresas devem pensar em novas formas de reter a força de trabalho mais jovem. "Uma das questões que a pesquisa trouxe é que a geração millennial [nascidos entre 1980 até o início dos anos 2000] está crescendo nas organizações – e inclusive já é maior geração presente nas empresas nos Estados Unidos. Por isso, as companhias devem direcionar seus esforços em fazer uma gestão que atenda aos anseios dessa geração", afirmou, durante reunião do Comitê de Gestão de Pessoas da Amcham - São Paulo, realizado na sexta-feira 16/09.

A Danone é exemplo de empresa que se propôs a entender melhor os millennials para atrair e reter essa força de trabalho. Segundo Andrea Zitune, Head de Talent Development da Danone, um dos passos principais foi definir a cultura da empresa e transmiti-la. "O jovem ainda não tinha clareza do que era a cultura da Danone, apesar de conhecer muito bem seus produtos. Tivemos que descobrir qual era a essência do nosso negócio para atrair e reter jovens no nosso quadro. Só assim ele entenderia se gostaria de se conectar ou não com a organização", afirmou a especialista.

Outro ponto importante para a companhia foi tentar entender quem é o jovem que está no mercado de trabalho, além das pesquisas e estigmas já colocados. "Na prática, vimos quebras de paradigmas. São jovens hardworking, com pressa pra crescer, se adaptam a contextos tradicionais e demandam feedbacks constantes", explicou. Por fim, a empresa também definiu o que esperava dessa nova força de trabalho, tendo em vista a cultura e as práticas da organização.

No caso da Google, Ana Carolina Azevedo, da Human Resources Business Partner da empresa, uma das principais preocupações é ter uma liderança forte nas empresas para conduzir os millennials. Como é uma geração que se desmotiva muito rapidamente, ela considera que o líder deve motivar sua equipe constantemente. "O modelo de gestão do Google não é de um time trabalhando para o líder, mas sim o líder que trabalha para o time. A liderança tem que conseguir despertar a vontade de trabalhar pra empresa, porque senão o time se desmotiva muito rapidamente", afirma.

Millennials

A pesquisa da Deloitte sobre a geração millennial mostrou algumas características que esses jovens têm. A busca por um equilíbrio entre vida profissional e pessoal e maior flexibilidade no trabalho são alguns pontos. Para 88% dos entrevistados, o sucesso da empresa vai além da performance financeira - o que mostra que a geração busca companhias que compartilham seus valores pessoais. Além disso, muitos desejam desenvolver habilidades de liderança. O alarmante é que 72% consideram que empresas não têm bons programas de liderança, o que detecta uma falha nesse sentido.

registrado em: