Gestão de RH será voltada para criar experiência de desenvolvimento ao colaborador, diz executiva da IBM

publicado 31/10/2017 15h04, última modificação 31/10/2017 15h16
São Paulo – Para Christiane Berlinck, tecnologias digitais viabilizam treinamento personalizado
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Christiane Berlinck, da IBM: tecnologias digitais vão mudar a forma de atuação do RH

Influenciada pelas tecnologias digitais, a gestão de RH será cada vez mais baseada na criação de experiências personalizadas de desenvolvimento, atração e retenção de pessoal. “Estamos saindo de uma pegada taylorista, focada em processos, e entrando em um processo individual e personalizado de employee experiment (experiência do colaborador)”, afirma Christiane Avila Berlinck, diretora de RH da IBM Brasil, no Fórum de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo na quinta-feira (26/10).

Márcia Almstrom, diretora de RH da consultoria ManpowerGroup, e Jaakko Tammela, diretor de design da Fjord, também compartilharam visões sobre o impacto das transformações digitais no mercado de trabalho.

A experiência ao colaborador consiste em planejar e criar um ambiente favorável ao desenvolvimento personalizado do colaborador, possibilitado por análises cognitivas. O objetivo é aumentar o desempenho de pessoal. A inspiração vem de outro conceito, o design thinking, que combina pensamento criativo na solução de questões organizacionais.

O proposito de design é descobrir como atender a uma necessidade das pessoas. “Para isso, é preciso descobrir o que é relevante para as pessoas e entregar algo de valor que mude a vida delas”, detalha Tammela.

Como o aprendizado é feito por tentativa e erro, é possível avaliar a necessidade de ajustes durante o processo. “Isso ajuda a quebrar paradigmas e, se for o caso, encontrar novas formas de realizar coisas”, acrescenta.

Tecnologias transformam o RH

Na área de RH, sistemas de computação cognitiva, capazes de analisar o padrão de comportamento de pessoas, vão aumentar a assertividade dos processos, de acordo com Berlinck. Um deles é a possibilidade de substituir o atendimento rotineiro por uma central eletrônica capaz de entender e responder questionamentos dos funcionários. “Isso vai mudar a forma com que os colaboradores vão interagir com o RH.”

Além disso, será possível avaliar melhor o desempenho de pessoal. “Através de informações coletadas nas redes sociais, por exemplo, o sistema pode inferir o que o sentimento de um usuário sobre determinado assunto. Aplicando esse conceito na organização, é possível detectar como personalizar o desenvolvimento de um funcionário com base no histórico de ações dele”, detalha.

Isso inclui a realização de feedbacks mais precisos e disponibilização de treinamentos específicos. “Temos que personalizar o desenvolvimento de cada funcionário. Colocar todo mundo em uma sala de aula não é efetivo, porque as experiências e o nível de conhecimento de cada um é diferente”, segundo Berlinck.

Baseado no histórico do colaborador, a IBM criou uma área interna de desenvolvimento onde ele tem acesso a cursos personalizados e relacionados ao desenvolvimento de competências específicas. “Nosso desafio é garantir que todos adquiram conhecimento, porque é isso o que nós vendemos”, resume.

A importância do aprendizado

A corrida da empregabilidade será ganha pelos profissionais mais criativos e aqueles que dominarem rapidamente novos conceitos, uma necessidade que se tornou mais urgente em função das transformações digitais. “A prontidão para o aprendizado será fundamental em um cenário de curto prazo, além de se tornar a competência principal na questão da empregabilidade”, disse Almstrom, do ManpowerGroup.

De acordo com uma pesquisa mundial da consultoria, as tecnologias digitais são um dos fatores que mais influenciam o cenário de mudanças. “Isso tem acontecido de forma intensa. E o profissional terá que se adaptar logo a um cenário mais desafiador, entendendo qual conhecimento deve aumentar e qual descartar”, continua.

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