Gestão de riscos em saúde requer processos e treinamentos

publicado 09/12/2014 15h44, última modificação 09/12/2014 15h44
São Paulo – Riscos existem em empresas de diferentes papeis na cadeia
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O Brasil é o 8º maior mercado de saúde do mundo, com a soma dos gastos públicos e privados estimada em R$ 215 bilhões, o equivalente a 8,4% do PIB. Só de beneficiários de saúde suplementar, há 51 milhões de pessoas. Com serviços complexos e muitos agentes envolvidos em torno de um bem do qual se diz não ter preço, o setor também passou a investir em gestão de riscos para se proteger do que pode ser evitado.

“O erro na indústria farmacêutica é muito pouco tolerado. Se um lote de medicamento sai com algum erro, há um dano muito grande”, exemplifica Patrícia Andrade Brandalise, Head of Medical Affairs da Medley, divisão de genéricos da Sanofi.

Ela esteve no comitê aberto de Saúde da Amcham – São Paulo na terça-feira (09/12), discutindo o assunto com Manoel Peres, diretor de Gestão Médica da Bradesco Seguros; Matheus Sabbag Leonel, gerente de Riscos e Compliance do Grupo Fleury; e Ivan França, gerente de Riscos do Hospital A.C. Camargo.

Segundo Patrícia, gerenciar riscos só é possível se for por meio de um sistema de gestão. “A chave é processo, com treinamento organizado e obrigatório para todos os colaboradores”, afirma.

Para o laboratório, esse trabalho passa pela comunicação com todos os seus públicos (pacientes, médicos, agência reguladora, entre outros). A empresa tem canais de serviço e informação para pacientes e médicos, prestadas por profissionais da saúde, como farmacêuticos. Há, ainda, um setor de compliance que se responsabiliza por todas as políticas e treinamento.

“A marca é nosso maior ativo, que depende da qualidade do medicamento e da comunicação com nossos interlocutores”, observa.

Fatores e ações

Os fatores de risco podem variar de acordo com os fatores que envolvem cada elo da cadeia. No caso de uma seguradora, questões intervenientes como imprensa e judiciário compõem o cenário, também exposto a temas sociais, como pressões demográficas e mudança no estilo de vida, comenta Manoel Peres, da Bradesco Seguros. “Há muitos riscos também pela imperfeição do mercado”, cita.

Segundo Peres, a companhia adota ferramentas e iniciativas de mitigação de riscos em todas as instâncias do negócio (operacional, subscrição, crédito e mercado, e reputação, entre outros). “Cuidar do risco é zelar pela reputação da organização”, pontua.

O Hospital A.C. Camargo, por exemplo, tem riscos inerentes à própria atividade hospitalar. A instituição faz 1.695 consultas por dia, 70 mil sessões de quimioterapia e 58 mil sessões de radioterapia anualmente. “A OMS (Organização Mundial de Saúde) diz que é mais perigoso ir a um hospital do que viajar de avião”, diz Ivan França, sobre o risco de contaminação no local.

O hospital começou seu programa de gestão de riscos em 2003, na primeira turma do Projeto Hospital Sentinela, realizado pela Anvisa. Desde então, é feito o mapeamento de riscos de todos os departamentos de uma instituição como tal. No entanto, com o crescimento de suas atividades, o A.C. Camargo aprimorou suas ações e buscou certificações internacionais. “O gerenciamento de risco cresceu com o apoio da alta direção da instituição”, destaca França.

O hospital tem onze protocolos ligados a problemas de saúde comuns em hospitais. A gestão por protocolos aumentou as notificações de quase erro e também reduziu o número de pacientes doentes. O de sepse, por exemplo, em um ano diminuiu-se o número de infectados ao mesmo tempo em que se aumentou o de notificações.

“O ideal, em nosso trabalho, é pensar nas características do paciente para elaborar e fazer as ações,” avalia.

Complexidade

Com um tamanho comparável ao de redes de varejo, o Grupo Fleury desenvolveu uma gestão que abarcasse todos os tipos de riscos a que suas unidades podem estar suscetíveis. A empresa tem 180 unidades, em seis estados e no Distrito Federal. São mais de 53 milhões de exames por ano, para mais de 9 milhões de pacientes, envolvendo 8,7 mil colabores e 1,7 mil médicos.

“Com a preocupação vinda da diversidade de riscos e a complexidade das operações, identificamos a necessidade de fazer uma gestão ampla nesse quesito”, relata Matheus Sabbag Leonel.

O grupo buscou uma metodologia internacional chamada Coso Enterprise Risk Management – ERM, que fornece uma lógica para se identificar, avaliar, monitorar e o que fazer com os riscos. Entre as tarefas, há o follow up de ações, os reportes periódicos, os indicadores para avaliar se os riscos estão em níveis aceitáveis e as auditorias internas.

“Ela trabalha todas as dimensões de riscos que a organização tem. Prevê que etapas têm de ser aplicadas em todos os níveis da empresa, em todas as unidades operacionais”, detalha.

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