Gestão do conhecimento é suporte para a tomada de decisões, diz executivo da Syngenta

por marcel_gugoni — publicado 19/04/2012 16h41, última modificação 19/04/2012 16h41
São Paulo - Claúdio Soares afirma que trabalho de inteligência competitiva serve para capturar a informação correta para posicionar direcionamento estratégico.
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A gestão do conhecimento e a inteligência competitiva são os principais suportes para a tomada de decisão. O direcionamento estratégico é o que determina a busca por novos produtos ou inovações e soluções para os clientes. Somente com esse tipo de dados em mãos “é possível partir para as fontes de informação”, como afirma Claúdio Soares, gerente de Inteligência Competitiva da Syngenta, fabricante de insumos agrícolas e pesquisadora da área de biotecnologia.

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“O principal é definir o tipo de dado que queremos, porque senão a empresa corre o risco de ficar com muita informação e não saber o que fazer daí em diante”, afirmou Soares em entrevista ao site após participar do seminário “Gestão da Informação e do Conhecimento”, realizado pela Amcham-São Paulo na terça-feira (17/04).

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Soares diz que ele e mais cinco pessoas são responsáveis por cuidar de todas as informações estratégicas da corporação. Há desde pesquisas sobre culturas agrícolas e do ambiente macroeconômico voltadas aos gigantes do agronegócio até entrevistas e pesquisas de mercado com pequenos produtores. “A pesquisa está ali porque é fonte importantíssima de informação.”

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São estes dados que servirão de suporte para a tomada de decisões, tanto da Syngenta quanto de seus clientes. “A partir do momento em que você sabe a utilidade de determinados dados, é possível fazer um acompanhamento e obter um feedback dessa informação. Esse trabalho, por mais simples que seja, gera um resultado porque dá informações para o negócio de cada cliente.” 

Veja os principais trechos da entrevista com Claúdio Soares: 

Amcham: Como a empresa captura informação com produtores rurais, considerando que há um grande número de pequenos agricultores que usam pouca tecnologia?

Claúdio Soares: Quando se fala em capturar informação, o principal é definir o tipo de dado que queremos, porque senão a empresa corre o risco de ficar com muita informação e não saber o que fazer daí em diante. Com as informações, temos que responder questões de acordo com o direcionamento estratégico. A partir do momento em que se sabe o produto que planeja fazer ou a inovação que se busca, é possível partir para as fontes de informação.

Amcham: Que fontes são essas?

Claúdio Soares: Temos fontes primárias, que são feitas a partir de pesquisa no campo, sejam elas grandes empresas de agrobusiness ou pequenos produtores rurais. No nosso caso, temos que segmentar, inclusive a pesquisa. Ao falar com os grandes, procuramos as informações brutas pensando no mercado globalizado, pensando na cadeia de produção e no objetivo dessa empresa ao fechar uma parceria conosco. No caso da soja, por exemplo, ao falarmos com os produtores, queremos abordar a demanda mundial pelo produto e seus derivados. É uma abordagem diferente dos pequenos, com os quais temos que abordar de forma familiar, pensando em soluções a partir de informações do dia-a-dia dele. Temos modelos de acesso ao mercado distinto para estes dois grupos.

Amcham: Poderia falar um pouco mais dessas diferenças?

Claúdio Soares: Essas informações, dos grandes ou dos pequenos, nos ajudam a responder algumas questões que, dentro de um planejamento estratégico, permitem abordagens distintas. Mas, no fim, queremos ter sucesso nas duas pontas. Trabalhamos sempre com a questão de dar informação para receber informação. Nosso relacionamento com os grandes tanto quanto com os pequenos é de troca. Os pequenos são muito mais difíceis de acessar dos do que os grandes. Muito desse trabalho de contato com os agricultores familiares é feito por redistribuidores, o vendedor dos nossos insumos, por exemplo. E, com esse grupo, nosso trabalho, por mais simples que seja, gera um resultado absurdo porque dá informações para os negócios de cada cliente.

Amcham: Como agregar valor a esses dados captados?

Claúdio Soares: Trata-se de capturar a informação correta para responder à pergunta que a empresa necessita. Se a empresa não sabe qual pergunta responder, não adianta captar nada, porque não sabe o que fazer com aquilo. A partir do momento que se sabe a utilidade de determinados dados, é possível fazer um acompanhamento e obter um feedback dessa informação. Isto é, fornecer à pessoa que provê suas informações um conhecimento que sirva de suporte para a tomada de decisões e fechar o ciclo, porque, depois de informar, temos que saber qual o impacto daquela informação.

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