Para ONG, Google, Whole Foods e Amazon lucram acima da média com respeito a pessoas e meio ambiente

publicado 11/02/2014 10h02, última modificação 11/02/2014 10h02
São Paulo – Organização Capitalismo Consciente sustenta que boas práticas podem dar bons resultados econômicos
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Negócios inclusivos que respeitam a sociedade e o meio ambiente revelam potencial de valorização igual ou maior que o de empresas tradicionais. “Há empresas que nascem com propósitos que vão além de maximizar lucros, como o de eliminar a pobreza e aumentar a produtividade sem agredir a natureza”, disse José Luiz Weiss, diretor de RH da Syngenta para a América Latina, que integra a ONG (organização não governamental) Capitalismo Consciente Brasil.

Weiss também menciona dados de Sisodia de que as Empresas que Encantam (tradução livre para o termo Firms of Endearment, que Sisodia usa em seus livros) são mais lucrativas que as demais. Entre elas, estão a Amazon, Google, Whole Foods, UPS e Southwest Airlines. Trata-se de uma evolução do capitalismo e que deve predominar no futuro, acrescenta Weiss que esteve no no comitê estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo, realizado na quinta-feira (6/2).

O executivo acredita ser necessário encontrar novas formas de gestão de negócios. “Todos os modelos e paradigmas empresariais datam do início do século XX. O mundo e as pessoas mudaram muito, e as empresas precisam se adaptar.”

“Para o capitalismo evoluir e ter sucesso na sociedade nos próximos 100 anos, não tem como manter a forma atual. Empresas sem integridade e que fazem coisas erradas para aumentar o resultado perdem credibilidade com clientes e sociedade ao longo do tempo”, disse.

O Capitalismo Consciente Brasil faz parte do movimento Capitalismo Consciente, surgido nos Estados Unidos e criado por executivos como John Mackey (co-fundador da rede de supermercados Whole Foods) e o professor e escritor Raj Sisodia (co-fundador e co-presidente do Capitalismo Consciente).

O retorno das empresas mais admiradas

As Empresas que Encantam geram valor emocional, social e financeiro para os parceiros – clientes, empregados, fornecedores – e públicos chave – ambientalistas, comunidades, governos e acionistas, e se caracterizam por renumerar bem os empregados, gerar valor para clientes e construir uma cadeia de fornecedores confiáveis e rentáveis.

Como resultado, o retorno médio das FoEs (Firms of Endearments) entre 1996 e 2011 foi de 1646%, comparado com os 157% das empresas listadas no índice S&P 500 da bolsa de valores dos Estados Unidos.

Os pilares do Capitalismo Consciente

Os quatro pilares do Capitalismo Consciente são propósito, cultura, liderança e público chave. O propósito busca formar valores além do lucro tanto no empresário como nos colaboradores e consumidores, enquanto a cultura foca na relação de confiança entre os colaboradores e os investidores.

A liderança é responsável por manter os propósitos da organização e inspirar os funcionários. Por fim, o público chave – colaboradores, consumidores, comunidade, governo e investidores –, pelos quais as empresa deve zelar e trabalhar para maximizar os retornos. “Todos são interdependentes entre si”, disse Weiss.

O executivo também cita o exemplo da supermercadista americana Whole Foods, cuja proposta comercial é a de vender alimentos saudáveis e de sabor elevado. A rede tem cerca de 190 lojas nos Estados Unidos e fatura US$ 6 bilhões anuais, sendo que seu nível de lucro por metro quadrado é um dos primeiros na comparação com as demais varejistas de supermercado.

Além dos alimentos saudáveis, a Whole Foods se destaca pela transparência na divulgação de informações. “Eles não gastam muito em marketing”, disse Weiss. O problema é que o elevado grau de abertura chega a incomodar as autoridades.

“Como todos os funcionários tinham acesso a informações estratégicas, foram acusados de ser ‘insider tradings’ [pessoas que usam informações privilegiadas para benefício próprio] pela Comissão de Valores Mobiliários americana”, conta Weiss. A WholeFoods é uma companhia de capital aberto com ações negociadas na Nasdaq – a bolsa de valores eletrônica dos EUA.

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