Governança corporativa também influi na atração de talentos, afirma consultor

por marcel_gugoni — publicado 26/03/2012 17h33, última modificação 26/03/2012 17h33
Recife – Plano de crescimento estruturado é importante para conquistar executivos talentosos, seja para empresas com gestão profissionalizada quanto para as familiares.
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A governança corporativa está diretamente ligada ao crescimento sustentado de uma companhia e tem forte influência na capacidade da empresa de atrair executivos talentosos para seu quadro de funcionários. Para Pedro Salles, gerente de Finance & Tax da Michael Page, essa máxima serve tanto para empresas com gestão profissionalizada quanto para companhias familiares.

“Quando apresentamos a um executivo um projeto de uma empresa, o plano de crescimento da companhia tem grande influência na decisão”, analisou Salles, que participou do III Seminário de Empresas Familiares, realizado pela Amcham-Recife, na última sexta-feira (23/03).

O consultor afirma que os executivos talentosos são movidos a mudar de empresa devido a três fatores: desafio, remuneração e ambiente de trabalho. “Não basta ter apenas um deles. A empresa precisa ter um plano de negócios claro para atrair este executivo e a governança corporativa tem influência direta nisso.”

Processo sucessório

Durante o evento da Amcham, Salles analisou o processo sucessório das empresas. De acordo com dados da PwC, 62% das empresas familiares não estão preparadas para eventual morte ou afastamento por doenças do dono da companhia.

E mais de 25% das empresas deverão mudar de mãos nos próximos cinco anos. Apesar disso, quase metade das empresas familiares não tem planos de sucessão estruturados.

As informações fazem parte do PwC Family Business Survey 2010/2011, realizado com mais de 1.600 empresas familiares em todo o mundo.

Célia da Fonte, diretora Superintendente das Indústrias Reunidas Raymundo da Fonte, também esteve presente ao evento e comentou que a passagem da empresa para a segunda geração é um momento delicado.

“Deixar de ter apenas um ou dois donos e passar a ter mais sócios é um processo delicado e que requer, acima de tudo, que todos estejam engajados em perpetuar o trabalho do fundador e seus valores”, analisou.

Perfil do sucessor

Salles defende que o melhor caminho no processo sucessório é escolher uma pessoa que pense como o fundador e que divida os mesmos valores que ele – seja um familiar ou não.

Quando assume o controle da empresa, o executivo deve ter como preocupações não criticar o que foi realizado até o momento, conhecer as operações da companhia em detalhes e manter o dono informado constantemente sobre o andamento dos negócios.

“Pode ser muito difícil para o proprietário da empresa, que trabalhou durante décadas à frente dos negócios, se afastar. Por isso, manter comunicação direta com o dono é importante para a continuidade nos negócios”, comentou.

O consultor alerta que a contratação de um executivo dentro desse perfil é apenas um dos passos em um projeto de longo prazo para empresas familiares. “As questões societárias e os planos estratégicos são fatores chaves de sucesso que antecedem a substituição de um sócio.”

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