Governança em empresas familiares não é só para quem quer negociar na bolsa de valores

publicado 02/06/2017 11h58, última modificação 02/06/2017 14h46
São Paulo – Para Thiago Salgado (Sanavita e Giga4), profissionalizar é fazer a empresa crescer depois dos fundadores
Thiago Salgado

Thiago Salgado, da Giga4 Consulting: Antes de profissionalizar a empresa, é importante conscientizar a família controladora

Profissionalizar uma empresa familiar não é apenas para quem tem planos de acessar o mercado de capitais, afirma o consultor Thiago Salgado, da Giga4 Consulting. “Quando me falavam em governança corporativa, via como uma coisa muito distante. Achava que era para quem queria negociar na bolsa de valores”, comenta, no comitê estratégico de Líderes Empresariais da Amcham – São Paulo, em 25/5.

“E não é só isso. Hoje, é muito difícil ver empresas crescendo e recebendo capital sem processos de governança bem estruturados”, afirma. Até janeiro, Salgado foi o principal executivo da Sanavita, indústria de alimentação saudável fundada por sua mãe. Depois de deixar o comando, Salgado foi para o conselho de administração da Sanavita e atua como consultor.

Profissionalizar uma empresa familiar diminui conflitos entre herdeiros e prepara o crescimento em bases mais sólidas, afirma o especialista. Mas ter estruturas de governança, como um conselho consultivo, também ajuda os gestores a conduzir o dia a dia das empresas. “Na hora do aperto, você tem que decidir. E as pessoas do time, por mais abertura que você dê, não falam tudo. Então é importante ter uma visão sistêmica da situação, o que pode ser obtido por meio de um conselho.”

Como executivo principal, Salgado disse ter sentido falta de recorrer a outras fontes de consulta. “O CEO de empresa é solitário (na hora de tomar decisões). Por isso, defendi a importância de ter visão de fora, de conselheiros independentes que lutam pelos interesses da empresa e não de setores específicos.”

Mas para que isso aconteça, é preciso conscientizar a família sobre as vantagens da profissionalização. “Se não explicar os conceitos a todos e criar na família o desejo de passar por esse processo, não vai. Só quando se cria esse desejo e as pessoas entendem por que, é possível falar em governança”, observa.

Missão de Inovação

Salgado foi um dos empresários que participaram da Missão de Inovação da Amcham, entre 23 e 29 de abril. A delegação era formada por 35 empresas brasileiras que visitaram empresas e centros de inovação no Vale do Silício, EUA. Algumas das empresas foram a Tesla, Twitter, Google e IBM.

O destaque da visita, levantando por Salgado, foi dialogar sobre inovação com as grandes empresas. Na visita que fez ao centro de pesquisas da Ford, Salgado ouviu de um executivo que, em alguns anos, o mercado automobilístico pode mudar dramaticamente. “O vice-presidente da Ford disse que em oito anos o negócio deles não vai existir. Ele falou que as pessoas não querem mais carro, os jovens de hoje nem sonham com isso. O que eles querem é experiência, acesso”, comenta.

A forma de consumo mudou e novos modelos de negócios precisam responder às novas demandas. “De uma hora para outra, surge uma nova tecnologia. Antes pegava filmes na Blockbuster, e hoje é pelo Netflix”, compara.

Pensar em modelos inovadores de negócios exige colaboração, constata o especialista. “A inovação não vem mais da informação fechada, secreta, no seu centro de pesquisa. Uma empresa tem que ter diversidade, gente diferente pensando em como resolver o problema. O funil da inovação tem que ser mais aberto.”

A Amcham vai promover uma nova Missão de Inovação entre 18 e 22 de setembro. Mais informações podem ser obtidas no [email protected].