HayGroup: 64% das empresas têm problemas para reter talento

publicado 14/02/2014 14h37, última modificação 14/02/2014 14h37
São Paulo – Engajamento e suporte organizacional ajudam a reduzir custos com reposição de funcionários
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Uma pesquisa do HayGroup com 450 empresas nacionais e estrangeiras revela dados de deixar em pé o cabelo dos gestores: 64% delas enfrentam problemas para segurar os talentos em casa. Entre elas, 89% não têm planos formais de retenção e, quando os têm, 72% são voltados apenas para cargos-chaves.

Os dados foram discutidos por Elton Moraes e Carlos Ferro, gerentes do HayGroup, durante o comitê estratégico de Finanças da Amcham – São Paulo, quinta-feira (13/02).

“Quando um funcionário sai, a troca é cara tanto em termos tangíveis quanto em intangíveis. É necessário entender o que os afeta para permanecerem ou saírem da organização”, diz Moraes.

Tendência mundial

Se depender da conjuntura, as empresas continuarão a enfrentar essas dificuldades. A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que a economia mundial seguirá em aquecimento moderado. De açodo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em dez anos a permanência do brasileiro numa mesma empresa caiu de 15 anos para 8 anos.

“A América Latina vêm passando por mudanças econômicas e, principalmente no Brasil, sociais. Isso representa oportunidades e também deficiências”, cita Moraes.

Somem-se a esses dados as novas gerações entrando no mercado, mais concorrência entre empresas, maior escolaridade e crescimento populacional mais lento. As conseqüências são mais pessoas optando por deixar o trabalho e a escassez de profissionais-chaves.

Alto custo

O problema da reposição de talento não é simplesmente pelas dificuldades operacionais que a troca de pessoal normalmente acarreta, mas também pelo custo financeiro.

Repor um funcionário custa entre 0,5 e 1,5 salário anual, afirmam os consultores. Com uma taxa de turnover voluntário de 12% (dado da pesquisa), uma empresa com 7 mil funcionários e salário anual médio de R$ 52 mil desembolsaria R$ 44 milhões para reposição.

Esse custo pode ser abatido com engajamento e suporte organizacional, defendem os consultores. Eles explicam que o primeiro reduz o turnover em 40%, enquanto os dois, juntos, diminuem em até 54% a taxa de troca de pessoal. “Nessa empresa hipotética, a economia com reposição chegaria a R$ 23 milhões”, compara Moraes. O valor poderia ser usado, inclusive, em programas de retenção.

Quem é seu público

Para criar engajamento, é necessário haver clareza e direcionamento dos rumos da empresa e da expectativa sobre os funcionários, diz Ferro. Quatro em cada dez profissionais têm dúvidas sobre essas questões.

Um ponto que afeta o engajamento é que metade dos funcionários não possui certeza de que poderá alcançar seus objetivos na empresa atual. Também quase metade, dizem os consultores, almeja maiores oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento. Além desses pontos que devem ser contemplados para engajar os profissionais, pesam respeito e reconhecimento e remuneração e benefícios.

É preciso, ainda, haver confiança na liderança. “Muitos não saem por causa da empresa, mas pelo líder. Um terço das pessoas não confia em seu líder”, afirma Ferro. 

Já com suporte organizacional, o funcionário deve saber com clareza o que a empresa espera dele e, se houver mudança de rumos, como serão seus novos desafios a serem cumpridos. Cooperação, treinamento, gestão do desempenho, estrutura e processos devem ser constantes na organização.

Tão relevante quanto são a autonomia e o empowerment, alertam os consultores. “Hoje, o trabalhador tem mais poder de comunicação e mobilização. Se o líder não empodera seus funcionários, eles se empoderam. Isso é questão de respeito na gestão”, destaca Moraes.

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