Hospitais e unidades de atendimento de saúde se transformam em ambientes multifuncionais

por daniela publicado 30/11/2011 12h47, última modificação 30/11/2011 12h47
Daniela Rocha
São Paulo - Setor aposta em projetos de arquitetura e design para tornar locais mais acolhedores, refletindo valores das organizações e promovendo integração de serviços.
miqueli_n.jpg

Os hospitais e os mais diversos tipos de unidades de atendimento da cadeia de saúde brasileira estão se transformando em ambientes multifuncionais. Essa estratégia comumente aplicada e já madura em muitos países desenvolvidos passa a se intensificar no País, onde, cada vez mais, o setor aposta em projetos de arquitetura e design para tornar as edificações mais acolhedoras, de modo a refletir os valores das organizações e promover a integração dos serviços.

Segundo Lauro Miquelin, arquiteto e sócio fundador da L+M Gets, o  conceito de ambiente multifuncional retrata a ideia de que os estabelecimentos da área da saúde saúde não são somente locais de atendimento e internação de pacientes, mas áreas que proporcionam a convivência de diversos outros atores, que são os médicos, enfermeiros, pacientes e funcionários de cozinha, limpeza, manutenção e segurança.

“A função dos projetos multifuncionais é integrar a variedade de prestação de serviços para proporcionar o máximo de bem-estar”, enfatizou Miquelin, que participou nesta quarta-feira (30/11) do comitê de Saúde da Amcham-São Paulo.

Ele explica que os projetos de ambientes multifuncionais devem atender a modelagem do negócio, a projeção de desempenho e possíveis ampliações de área. Antes mesmo de contemplar esses aspectos, o planejamento é fundamental para o estudo de viabilidade financeira de execução. É preciso estudar, conforme o especialista, propostas de soluções inovadoras, dentro de análises de custos versus benefícios.

Tendências

Na visão de Miquelin, os ambientes multifuncionais em saúde tendem a ganhar mais força no País devido a uma conjunção de fatores:

• Aprimoramento da rede do Sistema Único de Saúde via Parcerias Público-Privadas (PPPs);
• Acesso da nova classe média à saúde privada;
• Concentração de operadoras e incremento da verticalização das redes de atendimento;
• Combinação de hospitais com centros de ensino e pesquisa;
• Formação de centros logísticos de serviços destinados à cadeia, reunindo catering (alimentação), lavanderias etc;
• Cobrança maior da sociedade por sustentabilidade,  projetos ecoeficientes que visam o uso racional de recursos do planeta - por exemplo, aproveitamento da luz solar e da água da chuva;
• Uso intensivo de tecnologias da informação.

Ambiente renovado

O Hospital Sabará, especializado no atendimento a crianças e adolescentes, desenvolveu em seu prédio no bairro de Higienópolis, em São Paulo, um projeto inovador de arquitetura e design. Após cinco anos de implementação, a unidade foi reinaugurada no ano passado dentro do conceito de Children’s Hospital, comum nos Estados Unidos e na Europa. 

“Nossa intenção foi tornar o hospital um ambiente acolhedor e menos amedrontador. A palavra de ordem no atendimento em saúde é a humanização e, em se tratando de crianças, isso tem de ser levado ao extremo”, disse José Luiz Setúbal, presidente do hospital.

A estrutura física e o mobiliário foram totalmente adaptados para o tamanho das crianças, assim como para comportar os pais, que precisam acompanhar os pacientes de perto. 

O médico destaca que houve melhoria no bem-estar das crianças devido à criação de espaços lúdicos amplos e arejados; disponibilização de brinquedos adequados para idades diversas; paredes pintadas com cores, paisagens e personagens que trazem tranquilidade; e sinalização das salas de atendimento como ‘balões’ das revistas em quadrinhos.

“Estudos comprovam que um lugar agradável contribui para que o paciente apresente melhora. No caso das crianças, notamos que reduz a permanência no hospital, assim como o tempo de ‘convencimento’ para que se submetam aos procedimentos”, finalizou. 

 

 

registrado em: