Para HSBC, governo dá sinais de que quer maior aproximação com a iniciativa privada

publicado 24/01/2014 12h03, última modificação 24/01/2014 12h03
São Paulo – André Loes, economista-chefe do banco, cita o novo modelo de concessões públicas como exemplo
andre-loes-do-hsbc-1155.html

O novo modelo de concessões públicas, que prevê taxas maiores de retorno por projeto, sinaliza uma predisposição maior do governo em envolver a iniciativa privada, de acordo com o economista-chefe do banco HSBC, André Loes.

“O governo percebeu a preocupação dos empresários e está buscando maior entendimento e comunicação com o setor privado. Estive em Brasília na terça-feira (22/1) conversando com a equipe econômica do governo, e saí bem impressionado”, afirma o economista.

Loes participou do comitê de Finanças da Amcham – São Paulo, na quinta-feira (23/1), e disse que o governo, ao flexibilizar as regras dos leilões de infraestrutura logística, atraiu mais participantes. “Quando o governo parou de restringir a lucratividade dos projetos, mais interessados apareceram nos leilões. Naturalmente, o retorno [proposto pelos concorrentes] ficou baixo”, comenta Loes. “O governo pegou gosto pelo modelo, e a impressão que tenho é que agora o sistema deslancha.”

Segundo o economista, a concretização dos projetos de concessões vai impulsionar o uso de mão de obra qualificada, o que esbarra com outro problema estrutural da economia brasileira: a falta de produtividade. “Um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima o crescimento da produtividade em 0,9% ao ano. O salário real, em comparação, cresceu mais de 3,5% ao ano [pressionando a inflação]”.

Controle fiscal

O controle de gastos públicos foi a outra medida citada por Loes. “O governo ficou preocupado com a piora do resultado fiscal e a possibilidade de rebaixamento [do risco da dívida brasileira] pelas agências de rating. A equipe está reagindo, e isso é bom”.

Alem da austeridade fiscal, o Banco Central tem mostrado predisposição maior no combate à inflação. Na semana passada, o BC elevou a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, a 10,5% ao ano, contrariando as expectativas de mercado de alta de 0,25 ponto percentual.

O BC explicou, por meio de ata, que é "apropriada" a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias. “O governo não pode ficar anos e anos permitindo uma inflação acima da meta [o centro da meta é 4,5%, e a inflação de 2013 medida pelo IPCA fechou em 5,91%], senão o mercado assume que há uma nova meta", disse.

Gargalos estruturais

Loes enxerga uma mudança de estratégia do governo, ao priorizar os gargalos estruturais da economia. “Na segunda metade de 2012, a presidente Dilma propôs um novo programa de concessões e redução de custos de folha salarial. Ali houve uma mudança na agenda no sentido de desbloqueio de gargalos. Desde então, essa agenda [de prioridades] está melhorando.”

Para ele, os gargalos mais importantes a se resolver, em “médio prazo”, são a infraestrutura logística e a formação de profissionais qualificados.

Crescimento e Copa do Mundo

De acordo com Loes, o crescimento da economia brasileira em 2014 será estável em relação ao ano passado. “Provavelmente teremos a repetição de um ano parecido com 2013. O crescimento potencial deve convergir para baixo e, em parte por causa de uma inflação persistente”, disse o especialista.

As projeções de crescimento do HSBC para este ano são de 2,2% do PIB (Produto Interno Bruto), para uma inflação de 6,3% (perto do teto de 6,5% estimado pelo Banco Central).

Em relação às oportunidades de crescimento trazidas pela Copa do Mundo, Loes se mostrou pessimista. “Não usamos o evento como catalisador de melhoria de infraestrutura e haverá efeitos positivos em alguns setores, como o hoteleiro. Mas o principal benefício, que é a ampliação da infraestrutura, não acontecerá como queríamos.”

registrado em: