IBGC dá dicas de como dialogar com o acionista ativista

publicado 07/08/2019 16h47, última modificação 07/08/2019 16h47
São Paulo – Acionistas ativistas podem ser contributivos para a gestão das empresas
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Isabela Saboya fala ao lado do Presidente do Conselho de Administração do IBGC, Henrique Luz

É preciso conhecer o perfil e os objetivos dos seus investidores para mapear aqueles que possivelmente terão um perfil mais ativo, afirma o Presidente do Conselho de Administração do IBGC, Henrique Luz. “Questões básicas, como, por exemplo, a propriedade dispersa – quando o controle da companhia é pulverizado em vários blocos de acionistas – podem alavancar o ativismo de acionistas”, explica. “Mas precisamos diferenciar acionistas ativos de ativistas”.

Henrique esteve presente como convidado durante o nosso Comitê de Governança Corporativa, no dia 4/7, juntamente com a conselheira de administração independente, Isabella Saboya.

O palestrante recomenda ações que o Conselho pode ter antes e durante o ativismo a fim de manter o bom relacionamento com o acionista:

Previamente, é preciso estar preparado incluindo o tema do possível ativismo na agenda das reuniões de Conselho. A partir daí, há a necessidade de mapear e avaliar os fatores de risco da empresa com foco sobre as vulnerabilidades. “Também é muito importante se informar sobre as áreas de interesse e tendências do ativismo”, afirma Luz. 

Outra maneira de prevenção é criar canais de comunicação com os principais acionistas para que haja diálogo com eles. Segundo o executivo, isso reduz também a vulnerabilidade da empresa ao ativismo, provavelmente tornando o “ativista” em um “acionista ativo”.

Já sob a ação do ativismo, o executivo afirma que, para uma resposta melhor, existem algumas recomendações, como, por exemplo, comunicar a estratégia da empresa no longo prazo. Além disso, articular, com a participação de outros acionistas, a visão da companhia sobre a estratégia. “Também precisamos responder diretamente ao acionista, discutindo e refletindo sobre as demandas dele”, acrescenta.

Por fim, ele ressalta que o diálogo e a empatia são chave no bom relacionamento com acionistas, sejam ativistas ou ativos . “Isso serve para entendermos aquilo que eles estão procurando e trabalhar maneiras de construir certo consenso, mas sempre em torno daquilo que se considerar criação de valor a longo prazo para a empresa”, esclarece. 

O Código

A fim de desenvolver a cultura de senso de propriedade nos investidores institucionais, a Associação de Investidores no Mercado de Capitais (AMEC) lançou no Brasil o Código de Stewardship.

Segundo o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os Códigos de Stewardship são um tipo de declaração de princípios e forma de atuação que visa melhorar o engajamento e a transparência de como investidores institucionais definem e desempenham responsabilidades como acionistas nas empresas investidas.

Para que os direitos dos acionistas minoritários sejam assegurados, é preciso que o mercado cumpra seu papel. Na visão de Isabella, uma passividade exagerada dos investidores institucionais pode ser vista como o não cumprimento do dever. “Está na hora dos investidores institucionais serem ativos”, indicou Isabella.

Novos horizontes

Ao contrário do que o nome sugere o acionista ativista não é apenas aquele que demanda maior participação nas decisões ou representatividade. Mais recentemente, outros pleitos têm ganhado força. “Também há um ativismo não apenas para pressão de resultados ou poder nas empresas, mas sim para questões sociais, ambientais e de qualidade de governança, que hoje bem mais fortes na sociedade”, afirma Luz.

Bom ou ruim?

O ativismo, no mundo, teve um crescimento médio anual em torno de 12% nos últimos cinco anos, segundo a The Activist Investing Annual Review 2019. Somente no ano de 2018, 922 companhias no mundo todo foram alvo de ativismo. Em 2018, a prática alcançou empresas de todos os continentes do mundo.

Luz esclarece que o ativismo pode tanto ser benéfico para as companhias quanto maléfico. Para mapear a questão dos objetivos do ativista, é preciso saber qual o interesse deste ativismo e se isso é uma visão de longo prazo ou apenas curto prazo. “Vai depender se o ativismo cria valor para a empresa ou apenas para o acionista”, pondera.