IBM e KPMG dão dicas para promover inclusão da diversidade nas organizações

publicado 13/02/2017 15h16, última modificação 13/02/2017 15h16
São Paulo – Comunicação, envolvimento da liderança e canais de denúncia são algumas ferramentas eficientes, segundo especialistas
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Quais são os principais acertos quando se trata da inclusão da diversidade nas empresas? Christiane Berlinck, diretora de Recursos Humanos da IBM, participou do comitê de Diversidade e Inclusão da Amcham - São Paulo realizado na segunda-feira, 06/02, e apontou os erros e acertos comuns na hora de discutir o tema nas organizações.

A comunicação é central na hora de pautar a inclusão de minorias no mercado de trabalho, segundo Berlinck. A diretora conta que fez uma pesquisa de comunicação na IBM sobre a comunicação do RH e descobriu que o tema da diversidade era um dos mais bem comunicados. "Isso trazia muito orgulho e senso de pertencimento a todos. Não comunicar é um erro, porque isso traz engajamento para esses grupos e para o debate, o que faz total diferença", afirma.

Outra técnica de sucesso é a chamada mentorização reversa - quando os gestores são mentorados por seus funcionários. "Se eu não sou uma pessoa com deficiência, não sei como ela lida com o ambiente no trabalho ou quais dificuldades ela tem. Só vou saber se ela me falar e eu tiver a empatia para escutar. Quando entendemos a realidade do outro, a empresa vive a diversidade mais amplamente", garante.

Para a especialista, um dos aspectos que explica o sucesso da inclusão na IBM são os Business Resource Groups (BRGs) que atuam em sete pilares de diversidade. Esses grupos têm como objetivo identificar onde é necessário atuar para atrair, desenvolver e reter talentos na organização. Além disso, a empresa conta com canais de denúncia, ferramenta em que os colaboradores podem reportar desvios de conduta e assim viabilizar tomadas de ação, caso haja algum problema. "Se aconteceu algo errado, como um assédio moral, as consequências tem que ser claras", alerta.

Para Berlinck, é um erro deixar o tema restrito a fóruns e debates de recursos humanos. O envolvimento da alta liderança é essencial - algo que Rodrigo Kede, presidente da organização, concorda. "É igual criar um filho: ele vai prestar muito mais atenção no que você faz e como você se comporta que no que você fala. A forma mais efetiva das pessoas mudarem o comportamento e comprar a importância do assunto é ter uma organização que seja extremamente diversa. Quanto mais diverso for o corpo executivo, as métricas operacionais acontecem de forma mais rápida e natural", compartilha.

Pedro Melo, presidente da KPMG, também acredita que a liderança tem papel de inclusão da diversidade nas companhias. Para ele, uma das coisas mais importantes é trabalhar a questão do viés inconsciente. "É relevante entender e proliferar a importância disso. Às vezes a gente perde a oportunidade de fazer o certo porque nem temos a noção do que isso pode implicar na vida do próximo", aponta.

Eliane Momesso, gerente de Cidadania Corporativa, Inclusão & Diversidade da KPMG, comentou durante o evento que é necessário paciência nesse processo. “Nem sempre consegue caminhar na jornada como a gente gostaria porque o cerne de tudo isso é mudança de cultura, e isso não acontece do dia pra noite. Temos que aprender com quem já trabalhou a diversidade para pegar um gancho e avançar”, aconselha.

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