Incentivar funcionário é mais eficiente que criticar, alerta psicóloga de Harvard

publicado 10/06/2016 13h36, última modificação 10/06/2016 13h36
São Paulo - Investir em diálogo e apreciação promove bem-estar e fortalece relações no ambiente de trabalho, segundo Susan Andrews
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Um ato destrutivo ou negativo nas relações de trabalho pode inibir o bom desempenho da equipe, para a psicóloga e antropóloga pela Universidade de Harvard Susan Andrews, também coordenadora do Parque Ecológico Visão Futuro. "Nossos cérebros são circuitados para focar nas coisas negativas. Quando uma pessoa é criticada por um superior ou colega no ambiente de trabalho, ela não esquece rapidamente e isso atrapalha as relações dentro da empresa", explica a especialista, durante reunião do comitê de Recursos Humanos da Amcham – São Paulo, realizado na quinta-feira (9/6).

Estudos na área de neurociência provaram que emoções negativas são mais intensas e duradouras que as positivas. Susan relata que pesquisadores da área chegaram à conclusão que, para uma pessoa esquecer um ato destrutivo ou negativo, é necessário promover pelo menos cinco atos positivos. Essa tendência para a negatividade (chamada de negativity bias) leva muitas vezes as pessoas a reagirem de forma instintiva e emocional em problemas que deveriam ser resolvidos com a racionalidade - e isso prejudica as relações no trabalho.

A psicóloga alerta que o perigo é que o funcionário entre em uma fight-or-flight response, ou seja, fica agressivo ou foge do problema, atrapalhando seu desenvolvimento profissional. "Por isso é importante, que os líderes saibam como gerir pessoas de uma forma a não estimular uma reação negativa ou conflituosa", explica. Para Susan, a chave do problema está em capacitar os gestores a fim de promover uma relação mais saudável, com diálogo aberto e mais apreciação.

Outro fator que ajuda a promover um ambiente empresarial mais saudável é estabelecer conexões que vão além das relações profissionais, segundo a psicóloga. Separar um tempo da semana para promover a interação entre a equipe e fazer disso uma rotina facilita o trabalho em equipe, além de promover bem-estar e eficiência. A especialista reitera que fortalecer as relações humanas no trabalho é um fator que motiva as pessoas a ficarem na empresa e trabalharem mais motivadas.

Promover o bem-estar do indivíduo nas empresas e corporações vai além de uma preocupação com a pessoa: é também investir em produtividade, segundo Susan. "Muitas pesquisas provaram que pessoas felizes são mais produtivas, criativas, além de trabalharem melhor em equipe, serem melhores líderes e lidarem melhor com situações difíceis", afirma.

Para Susan, o velho paradigma da competição e conquista no mundo corporativo está em declínio, enquanto os conceitos de cooperação e comunicação estão ganhando cada vez mais destaque. Nesse sentido, ela vê um bom prognóstico para o Brasil no futuro: “A América Latina, especialmente o Brasil, tem muito a ensinar para o mundo sobre conexões e relações humanas”.

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