Inspiração e capacidade de interagir são competências fundamentais para postos-chave das companhias

por andre_inohara — publicado 29/04/2011 16h00, última modificação 29/04/2011 16h00
São Paulo – Executivos que mesclam realização pessoal e trabalho e agem como facilitadores organizacionais são os preferidos para ocupar cargos estratégicos, dizem presidentes de empresas.
andrea_alvares.jpg

Para ser escolhido para um posto-chave dentro de uma organização, é necessário muito mais do que um histórico comprovado de conquista de resultados. A alta direção tem de ser composta por líderes inspirados por metas pessoais e profissionais, e que consigam fazer com que toda a equipe atue de acordo com a cultura organizacional.

Essas foram as características apontadas por três presidentes de empresas que participaram do comitê de Gestão de Pessoas na Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (29/04). Em comum, os líderes reconheceram a importância de se obter resultados para a organização, mas lembraram que esse é o pré-requisito básico que se exige de um candidato à alta direção.

A presidente da divisão de bebidas da Pepsico no Brasil, Andrea Alvares, disse que pessoas com alto grau de idealismo costumam apresentar mais resultados profissionais. “Um trabalho não deve feito apenas pela compensação financeira, mas pela convicção de que se pode fazer a diferença”, observa. “Se o colaborador tiver o foco em fazer, resolver problemas e aprender, está sendo um líder na esfera que atua”, acrescenta.

Líder inspirado

O presidente do laboratório Eli Lilly no Brasil, Antônio Alas, afirmou que sua companhia procura “líderes inspirados”. Ele se considera um deles, ao contar sua trajetória profissional. Alas começou como representante de vendas de medicamentos para tratamento de diabetes da Lilly na década de 80.

Com os avanços tecnológicos das últimas duas décadas, os medicamentos à base de insulina se tornaram mais eficientes, aumentando a qualidade de vida desses pacientes. “Isso é o que me inspira”, conta. Como parte da política de treinamento de gestão, a Lilly adotou frases de encorajamento que pregam o comprometimento, a inspiração e a liderança audaciosa.

Outro aspecto valorizado pela Lilly é a eficiência da comunicação entre gestores e equipes. A empresa defende a necessidade de uma comunicação franca, constante e próxima, para transmitir a filosofia e as expectativas da empresa. “Se um líder tem poucos colaboradores, pode dialogar com eles tomando um café. Se ele for responsável por uma divisão, pode criar um blog”, sugere.

No futuro, os líderes terão de ser mais capazes de interpretar cenários econômicos e setoriais, para preparar rapidamente as empresas para novos direcionamentos. “Isso será o grande desafio de qualquer líder, além de consistir uma vantagem competitiva”, comenta Andrea, da Pepsico.

Importância da cultura empresarial

De acordo com Marcelo Tabacchi, presidente da Faber-Castell, uma liderança eficaz está fortemente relacionada aos resultados de uma empresa, incluindo o retorno financeiro. No entanto, os valores culturais da organização também têm influência na gestão eficiente.

A essência da marca Faber-Castell, segundo seu presidente, se baseia em quatro valores: competência e tradição, qualidade, inovação e criatividade, e responsabilidade sócio-ambiental.

Assim, cabe ao líder entender a cultura da companhia para transmiti-la aos demais funcionários. “As gerências precisam promover a interação entre pessoas e áreas, e não somente fiscalizar a execução das tarefas diárias”.

registrado em: