Interesse de investidores estrangeiros reforça importância de compliance nas empresas brasileiras

por daniela publicado 22/06/2011 11h14, última modificação 22/06/2011 11h14
Daniela Rocha
São Paulo - Companhias com condutas éticas bem implementadas são mais bem avaliadas, destaca Pyter Stradioto, gerente de Compliance e Segurança Corporativa da Henkel para América Latina.
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O fato de o Brasil estar no radar dos investidores estrangeiros reforça a importância do aperfeiçoamento das estruturas de compliance nas empresas brasileiras. É o que avalia Pyter Stradioto, gerente de Compliance e Segurança Corporativa para América Latina da Henkel, que atua nos segmentos de Lavanderia e Cuidados com o Lar, Cosméticos e Adesivos e detém as marcas Persil, Schwarzkopf e Loctite.

Stradioto participou na terça-feira (21/06) do "Seminário Compliance" promovido pela Amcham-São Paulo e, após o evento, concedeu a seguinte entrevista ao site da entidade:

Amcham: Como diversos especialistas disseram no evento da Amcham, muitas empresas que são hoje consideradas benchmark em compliance amadureceram suas estruturas em momentos de crise. Isso tem ocorrido? Como as companhias têm de se adaptar?
Pyter Stradioto:
Isso é uma realidade. Os programas de compliance como hoje descrevemos tomaram vulto a partir de 2002 e 2003, com escândalos contábeis da Enron e da WorldCom. Esses problemas geraram programas de conduta ética mais profundos, que vão além de códigos de ética e passam pela avaliação contínua de riscos, pelo monitoramento e pela busca de eficácia e efetividade da conduta ética.

Amcham: A ética ultrapassa a questão legal?
Pyter Stradioto:
Nem sempre a lei e a ética andam juntas. Muitas vezes, uma lei não abraça todos os quesitos éticos. As organizações devem seguir a legislação, porém, muitas vezes, precisam ir acima das leis, com mais rigor do que as leis preveem porque se pretende que as condutas não sejam próximas da ilegalidade. A compliance procura trazer não só a questão legal, mas a conduta ética, ou seja, vai além do legalismo.

Amcham: Qual deve ser o perfil do responsável por compliance nas empresas, o chamado chief compliance officer (CCO)?
Pyter Stradioto:
Minha definição é que se trata de um generalista, com formação muito ampla, porque é uma pessoa que tem que entender de leis e de comportamento humano. Além disso, deve saber sobre investigação e controles internos, o que é muito próprio de auditores. O CCO precisa ser capaz de transitar em todos os níveis da corporação e falar uma linguagem tanto executiva quanto de ‘chão de fábrica’.

Amcham: Quais os benefícios da compliance?
Pyter Stradioto:
O primeiro é a reputação porque uma empresa reconhecida como séria é mais valorizada. A credibilidade é fundamental no mercado de ações para a atração de investimentos e captação de outros recursos. Quando uma empresa tem pessoas qualificadas que sabem como se conduzir com alto nível de integridade e conhecem os limites legais, evita-se um número maior de desentendimentos que acabam trazendo más consequências comerciais, assim como se evitam fraudes. Com compliance, a companhia atrai mais negócios e perde menos pela má conduta. Assim, a organização tem maiores chances de dar certo.

Amcham: Como o sr. analisa o fato de as empresas brasileiras estarem no radar dos investidores estrangeiros? A estruturação de compliance torna-se mais necessária?
Pyter Stradioto:
Compliance é fundamental até por conta do FCPA (Foreign Corrupt Practices Act, lei dos Estados Unidos que visa coibir a prática de corrupção junto a todas as partes que de alguma forma fazem negócios envolvendo o país). Os investidores verificam se as empresas brasileiras conseguiram seus negócios com base em uma conduta ética, isto é, se uma companhia tem um passado de envolvimento com corrupção, pagamentos de propina ou coisas do gênero, dificilmente serão bem avaliadas e adquiridas. Um segundo ponto é que companhias com condutas éticas íntegras e bem implementadas normalmente já têm programas internos de controles melhores e negócios mais sólidos, com penetração de mercado mais forte. Isso facilita os processos, caso queiram ser adquiridas ou se consorciar ou associar a empresas estrangeiras.

 

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