Investidores estrangeiros frearam compras de empresas no Brasil em 2016

publicado 10/04/2017 15h24, última modificação 10/04/2017 15h44
São Paulo – Das mais de 700 operações de fusão e aquisição, 440 (59%) foram feitas por operações brasileiras
Comitê de Finanças

Nestor Casado, da Capital Invest (1º à dir.) e Paola Pugliese, do Demarest Advogados (1ª à esq.): mercado deve continuar favorável a operações de consolidação este ano tanto para brasileiros e estrangeiros, apesar de incertezas políticas

O apetite dos investidores estrangeiros por empresas brasileiras foi interrompido em 2016, abrindo espaço para que operações nacionais liderassem o mercado de fusões e aquisições. Das 740 transações dessa natureza realizadas no ano passado, 440 (59%) foram feitas por brasileiros, de acordo com dados da KPMG.

“Algumas transações com operadores brasileiros estavam represadas e não foram efetivadas até o fim do processo de impeachment [encerrado em setembro]. Já o estrangeiro, que tinha feito a festa quando o câmbio estava favorável (2015), não precisou comprar tanto”, detalha Nestor Casado, CEO da Capital Invest M&A Advisors, no comitê de Finanças da Amcham – São Paulo na quinta-feira (6/4). Paola Pugliese, sócia do escritório Demarest Advogados, também participou do debate.

As empresas mais procuradas foram dos setores Petrolífero (17%), Tecnologia da Informação (14%), Internet (10%) e Serviços Empresariais (9%). Os principais investidores estrangeiros vieram dos Estados Unidos (38%), França (10%) e Reino Unido (6%), de acordo com o estudo. A China, com participação de 4% no volume de investidores, vem ganhando destaque, segundo Casado. “Depois dos Estados Unidos e Europa, eles são os que mais investem no mercado brasileiro.”

Para efeito de comparação, em 2015 o volume de fusões e aquisições no mercado brasileiro somou 773 operações, com número recorde de transações cross border [investidores estrangeiros]: 504 (65%). Os ativos brasileiros estavam baratos, argumenta Casado, em função do câmbio favorável e qualidade das empresas alvo.

Desde que a situação política se estabilizou no fim do ano passado, os preços dos ativos brasileiros foram ajustados para cima. Isso não impediu a retomada do mercado por investidores brasileiros, mas os estrangeiros que procuravam oportunidades resolveram aguardar, explica Casado.

Para o especialista, o mercado deve continuar favorável a investimentos este ano tanto para brasileiros e estrangeiros, apesar de incertezas políticas decorrentes dos desdobramentos da Operação Lava Jato. “O mercado vai seguir volátil até o país ter uma definição mais clara da sucessão presidencial em 2018 e os rumos da política econômica.”

Em um processo de consolidação, é preciso que as empresas envolvidas atentem para a concentração excessiva de mercado, comenta Pugliese, do Demarest Advogados. Muitas operações submetidas ao órgão estão levando mais tempo para ser analisadas em função dessa diretriz. “O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) está mais rigoroso em relação a isso”, segundo a especialista.