Investimento em conectividade abre oportunidades de negócio

publicado 12/07/2013 15h35, última modificação 12/07/2013 15h35
São Paulo – Com a “internet de todas as coisas”, novas ferramentas ampliarão o contato com os clientes
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Conectar-se com todas as ferramentas possíveis a partir das plataformas digitais. É isso o que a chamada “internet de todas as coisas” procura estabelecer, desde o simples uso do celular até a possibilidade de verificar a temperatura e o trânsito nas ruas. Diante do seu alcance, o conceito se tornou uma grande oportunidade de investimentos. “No ano passado, existiam 8,4 bilhões de dispositivos conectados à internet. No final de 2013, serão mais de 10 bilhões e, até 2020, cerca de 50 bilhões”, informa Marcelo Ehalt, líder do time de Engenharia da Cisco Brasil.

Ele participou, ao lado de Paulo Matos, gerente de Planejamento Estratégico e Inovação da Fiat, do Comitê de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação). O evento, que reuniu executivos de empresas associadas, aconteceu na quinta-feira (11/07), na Amcham-São Paulo.

De acordo com Marcelo Ehalt, da Cisco, hoje já é possível ter contato direto com a “internet das coisas”, por meio dos computadores e dispositivos móveis, como celulares e tablets. O que ele defende é ir além, é que as empresas pensem na “internet de todas as coisas”, que é o investimento na infraestrutura que permite essa conexão. “Se uma empresa não colocar essa tecnologia agora, outra vai colocar”, alerta Paulo Matos, da Fiat.

Por isso, é importante pensar no conceito aplicado na prática. O representante da Cisco mencionou alguns projetos como a geladeira hospitalar que identifica a temperatura ideal para armazenar os medicamentos. Além disso, está mais fácil para as pessoas fazerem conferências com os parentes em seus tablets e, ainda, rádios de automóveis serem ligados pelo reconhecimento da voz, por exemplo. “Já existem casos práticos na medicina, manufatura, mercado de varejo e de energia”, diz Ehalt.

Novas oportunidades
Apesar da tecnologia estar muito presente na vida de todas as pessoas, ainda há muito a ser explorado. “99,4% de todas as coisas que poderiam estar conectadas à internet não estão”, afirma Marcelo Ehalt, da Cisco, que trouxe o dado de uma pesquisa feita pela empresa com 7.500 profissionais da área de TI de 12 países, incluindo o Brasil, e pode ser consultada no endereço: internetofeverything.cisco.com.

O palestrante defendeu que tudo pode estar conectado. Desde uma montanha, que pode ter um pluviômetro para analisar a quantidade de água e impedir catástrofes naturais, até automóveis e objetos que existem dentro de casa. “Existem tantas oportunidades, que o investimento estimado no mundo inteiro com a ‘internet de todas as coisas’ é de US$ 14,4 trilhões”, revela Ehalt.

Ao todo, a Cisco Brasil está fazendo um investimento em três eixos: na contratação de novos funcionários para trabalhar na “internet de todas as coisas”, no desenvolvimento de um Centro de Inovação no Rio de Janeiro e no relacionamento com empresas que desenvolvem o RFID (Radio Frequence Identification). Esse último elemento refere-se ao “tag”, como uma espécie de “categorização” para cada pessoa, serviço ou produto. “Como o suporte colocado na roupa e que apita quando a peça sai da loja ou um sensor que muda de cor conforme a presença de alguém”, ele exemplifica, ao anunciar que está contratando profissionais que possam compor um core business para desenvolver soluções nesse sentido, já que as possibilidades são infinitas. “Eu costumo dizer que, na ‘internet de todas as coisas’, o único limite é a imaginação”, diz Ehalt.

Mas vale lembrar que as empresas também precisam pensar fora da caixa para acompanhar todas as mudanças. “No nosso caso, do setor automotivo, percebemos que o importante é olhar o business de TI, que é uma indústria contínua e com grandes saltos de desenvolvimento”, aponta Paulo Matos, gerente de Inovação da Fiat, que confessa ter muitos projetos novos em desenvolvimento, mas fica à espera de novas tecnologias que possam surgir.

Automóvel conectado
Paulo Matos ainda conta que a Fiat entende que é preciso transformar o carro em um espaço de interatividade e solução dos problemas. “Quando o motorista está parado no trânsito, ele pode ter a opção de fazer ligações, pagar contas ou assistir televisão e colocar o carro para dirigir sozinho”, conta Matos.

O importante, segundo ele, é que seja respeitado o fluxo contínuo de experiências na vida das pessoas. “Antes de se deslocar, deixamos de acompanhar aquela conversa ou programa na televisão”, ele destaca, ao defender o automóvel como uma extensão da casa ou da própria vida.

Essa estratégia pode, ainda, melhorar a relação do cliente com o produto, pois ele poderá adaptar conforme a sua preferência. “Ao conectar o celular no carro alugado ou recém-adquirido, o indivíduo poderia carregar na interface os dados que permitem a customização do jeito que ele gosta”, ele diz. Um dos principais motivos da importância das oportunidades que estão sendo geradas no mercado automobilístico é, principalmente, o crescimento da demanda, que já chega a 6 milhões de carros por ano.

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