Investimentos em promoção de saúde permitem maior retenção de executivos e diminuem custos corporativos

por andre_inohara — publicado 31/05/2012 16h48, última modificação 31/05/2012 16h48
São Paulo – Omint, Atento e Ticket (Grupo Edenred) apresentaram suas estratégias para melhorar a saúde e o bem-estar dos colaboradores.
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As campanhas para promover maior qualidade de vida são benéficas tanto para as empresas como para os colaboradores. Quando decidem mudar ou permanecer no emprego, os executivos cada vez mais levam em conta os programas corporativos de incentivo à saúde, como alimentação saudável, exercícios físicos e cobertura de exames preventivos.

Colaboradores saudáveis são mais produtivos e adoecem menos. Com isso, as companhias diminuem as despesas com planos de saúde e as incidências de afastamentos por motivos de doença. Este foi um dos destaques da reunião conjunta dos comitês de Gestão de Pessoas e Saúde da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (31/05).

“Pessoas com maior poder de decisão dentro da empresa valorizam bastante os benefícios”, disse Caio Soares, diretor médico da operadora de planos de saúde Omint. “A existência de programas de prevenção tem relação direta com a queda de custos médico-hospitalares e fatores de risco à saúde. Fazer prevenção significa ter melhor saúde e menores custos com planos de atendimento médico”, acrescentou ele.

Soares comentou que as companhias estão partindo para estratégias de diferenciação na hora de oferecer planos de saúde aos colaboradores. “O funcionário valoriza mais uma ação com os filhos ou a esposa do que propriamente com ele, e essa tem sido uma de nossas mudanças estratégicas.”

Outra tendência é a personalização de serviços. “O que tem chamado a atenção é que os colaboradores querem ter a liberdade de se consultar nos médicos de sua escolha, sem se restringir ao livrinho [de prestadores de serviços médicos credenciados]”, afirma.

Pesquisa Omint

De acordo com o ‘Perfil do Programa Bienal de Promoção de Saúde’, uma recente pesquisa da Omint realizada com diretores e gerentes das empresas associadas, os principais fatores de risco à saúde dos executivos são a má alimentação, sedentarismo, estresse e tabagismo.

A alimentação desregrada é, de longe, o maior fator de perigo, pois se manifesta em 97% dos respondentes. Sedentarismo vem em segundo, com 43%, e depois alto estresse (32%) e tabagismo (11%). Para Soares, os resultados da pesquisa são representativos dos hábitos da população brasileira.

“A maioria dos brasileiros morre por doenças cardiovasculares. A principal causa são as placas de gordura saturada, a mais nociva ao sistema cardiovascular, que vão se depositando nos vasos sanguíneos e se acumulam ao longo dos anos. Uma vez alojadas, elas não saem mais e, quando entopem, podem causar infartos e derrames”, explica.

Baseada nos resultados da sondagem, a Omint criou uma série de programas preventivos. Eles incluem o “Coaching da Saúde”, com orientação individual e personalizada sobre cuidados com a saúde e busca dos profissionais adequados para cada enfermidade, consultas personalizadas para gestantes, bem como o gerenciamento de doenças crônicas e de casos de alta complexidade como câncer e diabetes em estágio avançado.

Elemento estratégico

Empresa de contact center do grupo Telefonica, a Atento criou um programa de gestão de funcionários afastados em 2010 para se adequar ao Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Lançado pelo Ministério da Previdência Social (MPS), o FAP faz parte da política pública de reduzir o indicador de acidentes de trabalho, sejam físicos ou emocionais, e a contribuição previdenciária de empresas com menor índice.

“O FAP incutiu nas companhias maior necessidade de prevenção porque adicionou um interesse econômico”, analisa Simone Ramos de Miranda, gestora de Saúde e Bem-Estar da Atento. A contribuição previdenciária pode diminuir pela metade em caso de queda de incidência de acidentes de saúde provocados pelo trabalho - ou dobrar na situação contrária.

Simone acredita que, antes do FAP, a gestão da saúde e segurança do trabalho nas organizações era tratada com menor ênfase pelas companhias e se restringia ao cumprimento dos requisitos legais (incentivo e encaminhamento ao INSS). Agora que trazem impacto direto no resultado financeiro a partir do FAP, saúde e segurança ganharam peso estratégico. 

Melhora do ambiente e prevenção de acidentes

Para reduzir o nível de acidentes e riscos no ambiente de trabalho, a Atento prioriza a melhora do ambiente organizacional e busca estimular e investir em programas de prevenção de acidentes.

Desde 2010, os níveis de risco de acidentes da Atento têm decrescido, bem como o nível de pessoas afastadas conforme os critérios do INSS. De fevereiro de 2010, data inaugural do programa de gestão de afastados na Atento, até abril de 2012, o montante de afastados caiu de 2.634 para 1.817. No mesmo período, o tempo médio de afastamento recuou de 21 meses para 11 meses.

“A simples gestão muda minhas estatísticas. Podemos acompanhar o tratamento dos afastados e se ele está tendo outras necessidades, ou se voltou com restrições e precisa de funções compatíveis”, argumenta Simone.

Entre os programas de saúde da Atento, estão o Atento Social, de apoio psicológico e emocional, e o programa de gestantes. De acordo com Simone, 75% das funcionárias que atendem no call center são mulheres.

Saúde como requisito para motivação

Um ambiente saudável nas empresas é fundamental para manter a motivação das pessoas, defende Maria Catarina Jacob, gerente de Benefícios e Proteção à Saúde da Ticket, empresa do Grupo Edenred.

“O grande diferencial das empresas são as pessoas”, afirma Catarina. “As companhias estão olhando para a gestão da saúde de forma diferenciada porque estão conscientes de que, por mais que tenham grandes líderes e talentos, sem vitalidade as pessoas não poderão contribuir.”

Além de campanhas educativas e planos de saúde com ampla cobertura, a Ticket investe na melhora do clima organizacional como forma de aumentar a motivação dos colaboradores.

Para isso, a Ticket organiza torneios esportivos internos e oferece cursos ligados à saúde. Em 2011, os resultados obtidos foram a redução de 75% dos problemas psicológicos, queda de 8% no absenteísmo e de 25% nos afastamentos pelo INSS.

“A saúde está muito ligada à felicidade. Não adianta fazer apenas a administração dos pacientes crônicos ou educar os saudáveis. É preciso motivar as pessoas a serem felizes e cuidar da parte espiritual, onde se tenha um clima desafiador para trabalhar“, disse Maria Catarina.

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